Polícia Federal prende Filipe Martins após ordem de Moraes

Ex-assessor de Bolsonaro é levado a presídio em Ponta Grossa após decisão do STF por violação de medidas cautelares


Por Tribuna de Minas

02/01/2026 às 10h48

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta sexta-feira (2) Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Martins foi detido em casa, em Ponta Grossa (PR), onde cumpria prisão domiciliar, e encaminhado a um presídio da região.

A determinação ocorre depois de Moraes intimar a defesa, em 29 de dezembro, a esclarecer em até 24 horas uma possível violação das medidas cautelares impostas no âmbito da ação penal sobre a tentativa de golpe. O ministro apontou que, naquele dia, teria havido acesso ao perfil de Martins no LinkedIn para busca de perfis de terceiros, embora o ex-assessor esteja proibido de usar redes sociais.

Nos esclarecimentos enviados ao STF, a defesa afirmou que Martins não utilizou a plataforma nem fez publicações, e disse que o perfil estaria sob controle dos advogados para preservar provas, organizar informações relevantes ao processo e auditar históricos digitais. “Frise-se, com a exatidão que o caso exige: o Defendente não utilizou a plataforma LinkedIn, nem realizou qualquer ato de manifestação pública ou comunicação por meio dela”, argumentou a defesa na manifestação.

No despacho que determinou a prisão, Moraes escreveu que “não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social, não havendo qualquer pertinência da alegação defensiva no sentido de que as redes sociais foram utilizadas para ‘preservar, organizar e auditar elementos informativos pretéritos relevantes ao exercício da ampla defesa’”. O ministro afirmou ainda que Martins demonstrou “total desrespeito” pelas normas impostas e pelas instituições democráticas, “em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como todo o ordenamento jurídico”.

Ricardo Scheiffer, um dos advogados de Martins, afirmou ao Estadão não saber a razão da prisão, uma vez que “foi entregue apenas um mandado de prisão, sem qualquer justificativa”, segundo ele. “Eu acompanhei a prisão. Eu estava indo para a academia quando vi uma movimentação (em frente à casa de Martins) e cheguei. Foi uma coincidência. O Filipe está tranquilo, consciente da injustiça que ele vem sofrendo, e preparado para poder enfrentar isso aí de frente”, declarou Scheiffer.

No último dia 26, Moraes havia determinado a prisão domiciliar de Martins e de outros nove réus no processo, sob a justificativa de risco de fuga. A decisão foi adotada após casos envolvendo condenados pela trama golpista, como Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal no governo Bolsonaro, preso naquele dia ao tentar entrar clandestinamente no Paraguai. O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), também condenado pela tentativa de golpe, foi citado como outro que deixou o país para evitar a prisão.

Réu do núcleo 2 da trama golpista, Martins foi condenado pelo STF a 21 anos e seis meses de prisão. Ele ainda estava em liberdade, já que a condenação não transitou em julgado, com possibilidade de recurso da defesa.

Quem é Filipe Martins

Filipe Martins tem 38 anos e é natural de Sorocaba (SP). No LinkedIn, afirma ser formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), em Brasília (DF), e ter cursado Diplomacia e Defesa na Escola Superior de Guerra.

Ele ocupou o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República em 2019, no início do Governo Bolsonaro (PL), após ter trabalhado com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante o período de transição. Martins também afirma ter atuado como intérprete e tradutor e ter sido assessor internacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de mencionar passagem como assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e atuação como professor em curso preparatório para concursos públicos.

Segundo o relato, ele se aproximou da família Bolsonaro (PL) em 2014, ao conhecer o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) pela internet, e se declara entusiasta de Olavo de Carvalho. O ex-assessor também foi apontado como integrante do chamado “gabinete do ódio”, grupo acusado de usar redes sociais para difundir desinformação contra adversários de Bolsonaro (PL). Desde 2022, ele não atualiza seu perfil no Instagram, onde ainda se apresenta como assessor especial.