Teresinha da Rocha Pereira lança livro ‘Tecidos de memórias’ em Juiz de Fora com sarau poético

Livro lançado na Flip chega ao Memorial Itamar Franco e ao Prosa Café em dois dias de programação gratuita


Por Mariana Souza*

04/12/2025 às 07h00

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(Foto: Divulgação)

Tecendo e entrelaçando lembranças por meio da poesia, a autora fluminense Teresinha da Rocha Pereira lança o livro “Tecidos de memórias” (Editora Pontes, 2025) nesta quinta (4) e sexta-feira (5), em dois momentos em Juiz de Fora, ambos acompanhados de um sarau poético e com entrada gratuita. 

Nesta quinta, o lançamento acontece a partir das 19h, no Memorial Presidente Itamar Franco (Rua Benjamin Constant 760 – Centro). Já na sexta, o encontro será no Prosa Café, que fica na Rua Fernando Lobo, 52, a partir das 14h. 

O lançamento em Juiz de Fora será também um convite à escuta. No sarau poético que acompanha a atividade, a autora lê alguns textos do livro e abre espaço para que o público compartilhe impressões, memórias e afetos despertados pela poesia. A proposta é que o encontro funcione como um momento de troca, em que a literatura ajude a reconhecer histórias comuns, aproximar gerações e fortalecer a relação entre leitores, autores e a cena cultural da cidade.

Em “Tecidos de memórias”, a poesia de Teresinha é marcada pela sensibilidade e pela força da escrita feminina. Os versos percorrem experiências da infância, relações familiares, memórias de fé e cultura popular, além de diálogos com a natureza, a vida rural e os movimentos da cidade. “O livro busca dar voz a memórias individuais e coletivas, mas também às partes caladas da sociedade: mulheres, pretos, pobres, pessoas LGBTQIAPN+. Embora cada poema possa ser lido de forma independente, todos se entrelaçam. Há neles saudade, desejo, lembrança e há, sobretudo, resistência”, afirma.

Professora, escritora, pesquisadora e produtora cultural de Rio Claro, cidade do interior do Rio de Janeiro, Teresinha tem atuação voltada à valorização da obra de Fagundes Varela e à integração entre literatura, educação e cultura digital. Ela explica que o maior desafio de escrever não foi apenas revisitar suas dores e afetos, mas lidar com a responsabilidade de transformar a palavra em voz para tantas outras histórias que a atravessam. “Escrever é um ato político, e foi preciso honrar cada fio desse tecido.”

Fios das palavras

Lançado na Flip deste ano, “Tecidos de memórias” se soma a “Entre o campo e a cidade”, vencedor do Prêmio Olho Vivo de Literatura (2024). Mestra em Língua Portuguesa pela UERJ e especialista em Linguística Aplicada, Leitura e Produção Textual, Teresinha desenvolve projetos que unem formação docente, criação artística e inovação pedagógica, sempre com foco na inclusão e na identidade local. Criadora do projeto Arteliteris, atua em formações, mesas-redondas e encontros literários discutindo poesia contemporânea, leitura crítica, autoria feminina e práticas inovadoras de ensino da literatura.

“O próprio título nasce dessa ideia: ‘tecidos’ vem de tecer, e tecer é costurar. Minha mãe era costureira, primeiro à mão, depois na máquina manual e, por fim, na elétrica”, conta. Ela cresceu vendo esses fios se unirem até formar algo inteiro e, com o tempo, percebeu que escrever também é isso: juntar palavras e silêncios para criar sentido.

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(Foto: Divulgação)

Para ela, o livro não traz somente memórias da sua infância; ele dialoga com outras vozes e espaços. A capa apresenta a cidade de São João Marcos. “Trago, por exemplo, a história de São João Marcos, cidade extinta e inundada na década de 40, hoje transformada em parque arqueológico e ambiental, um símbolo de memória coletiva.”

Nesse gesto de costura simbólica, Teresinha inclui também a figura de Ernestina Fagundes Varela, irmã do poeta Fagundes Varela, que muitas vezes surgiu de forma indireta ou foi silenciada, enquanto ele, nascido em Rio Claro, sua cidade, assinava apenas como E. Varela. “Para mim, dar visibilidade a essa mulher é, de certa forma, costurar de volta um pedaço da história que ficou à margem”, conclui.

Ao trazer Ernestina Fagundes Varela para o centro da narrativa, Teresinha também reafirma uma dimensão de pesquisa e reparação simbólica. A figura da irmã do poeta, tantas vezes apagada dos registros oficiais, aparece como emblema de outras mulheres que ficaram às margens da memória literária. No livro, esse gesto de resgate dialoga com as histórias de professoras, mães, trabalhadoras e artistas que sustentam, muitas vezes em silêncio, os fios da vida cotidiana.

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy