CICLO DE PARADOXOS
O fim de semana foi emblemático em termos estatísticos. Ao fechar os quatro primeiros meses de 2015, a cidade chegou à marca de 50 homicídios, apontando que o cenário de insegurança permanece o mesmo. Desde 2013, quando o número de ocorrências rompeu a barreira dos cem, os dados são ascendentes, a despeito do anúncio de uma série de medidas por parte das autoridades. Neste aspecto, o Judiciário fez sua parte. O mutirão realizado pelo Fórum, com 71 julgamentos em tempo recorde, soa como um paradoxo, pois, se por este lado as medidas são positivas, por outro ainda há um longo caminho a trilhar. Uma das queixas envolvia o cumprimento de penas, com a polícia prendendo e a Justiça soltando por excesso de prazos e até mesmo por falhas processuais. O mutirão foi um avanço.
Mas isso só não basta. A cidade tem por hábito não dar continuidade a eventos nos quais a comunidade é parte diretamente interessada. No ano passado, foi inaugurado um fórum de segurança para discutir as demandas do município, como maior efetivo policial, equipamento de trabalho e políticas de segurança voltadas para o combate aos crimes contra a vida. Para 2015, a ideia, apresentada na própria Câmara, era dar continuidade aos seminários. Tanto assim que foram pedidas audiências ao secretário de Estado de Segurança Pública para a realização de pelo menos um fórum neste primeiro semestre. O ciclo está vencendo, e não há indicativos de um novo evento.
Mais do que isso, não se enxergam ações para reverter o quadro, agravadas pela descontinuidade das que estavam em curso, deixando a população à mercê de sua própria sorte. Cabe aos atores políticos e demais lideranças retomarem a discussão e cobrarem da Sedes ações efetivas, ora necessárias para conter as ocorrências que as estatísticas apontam.











