FICHAS SUJAS


Por Tribuna

14/10/2014 às 06h00

Todos são inocentes até que se prove o contrário ou até que haja uma sentença definitiva de mérito, mas não dá para ficar alheio ao que ocorre na política. Na edição de domingo, o matutino “O Globo” destacou que “quase metade dos campeões de voto está sob investigação” por denúncias que vão de desvio de recursos a crimes de tortura, passando por falsidade ideológica. A lista afeta 108 deputados federais e senadores para a próxima legislatura do Congresso Nacional.

Os números preocupam, mas o que mais chama a atenção é como tais personagens foram consagrados pelas urnas com tantas pendências nas costas. O eleitor dirá que uma coisa é uma coisa e que outra coisa é outra coisa, mas há em vigor uma lei que trata especificamente do assunto. Neste caso, a Lei da Ficha Limpa, graças ao duplo grau de jurisdição e aos infindáveis recursos, não foi suficiente para tirar de cena tais personagens. O próximo Congresso, além do forte componente conservador, ainda terá que conviver com tais “virtudes”, muitas delas frutos de crimes comuns que até hoje não tiveram uma sentença definitiva.

A questão, então, passa para o Judiciário, que não conseguiu definir tais processos. É certo que as mesas dos juízes estão entulhadas de casos, mas é preciso fazer algo para evitar a incidência de tantos infratores com direito a fazer exatamente o que não cumprem: a lei. Além da Ficha Limpa, é fundamental rediscutir a legislação que permite tantas brechas, sobretudo para quem tem meios. Quem não pode vai para a cadeia, lotando o cárcere de personagens iguais a muitos que, em vez da cadeia, vão para Brasília sob o respaldo das urnas.