BOA COINCIDÊNCIA
Meras coincidências costumam dar resultados. No mesmo dia em que o novo delegado regional, Luciano Vidal, anunciou que mais um delegado de homicídios vai atuar em Juiz de Fora, ampliando o foco de investigações, circulou em Brasília a informação de que o Governo, em busca de agenda positiva, decidiu desengavetar o projeto que cria um plano nacional para a redução dos crimes contra a vida. O pacto, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, prevê ações de policiamento integrado nos estados e revisão de trâmites do Judiciário nesses crimes. Trata-se de uma clara admissão de que não basta a prisão dos infratores se a Justiça não dá conta, a tempo e à hora, da tramitação dos processos.
Uma das medidas adotadas pela Polícia Civil, certamente, será apertar o cerco ao tráfico de drogas. O chefe do 4° Departamento de Polícia, delegado Saed Divan, admitiu ser esta a matriz para 90% dos homicídios na cidade. Para tanto, o trabalho integrado, que o Governo promete tirar do papel, é estratégico, pois restaura os capilares do sistema, hoje bloqueados pela burocracia e pelo próprio desinteresse das forças em trocar informações.
Em Juiz de Fora, os crimes consumados contra a vida e as tentativas, além das lesões corporais que culminam em morte, estão no topo das ocorrências, o que exige, como admitiram os próprios policiais, uma resposta imediata do Estado, sob o risco de dar força ao mundo paralelo do crime. Hoje, a disputa por território tornou-se uma rotina nas metrópoles, e a cidade não é exceção. Se não houver reação, a população, já acuada, ficará sem saída, pois hoje, em diversas regiões, ocorre a inversão da norma do ir e vir, sendo os criminosos os senhores de vida e morte sobre os moradores.











