Curta experimental feito em escola de Juiz de Fora será exibido em Ouro Preto
‘Aprendendo com os olhares da primavera’ será exibido no Cineop no sábado (28) e também está disponível on-line no site do evento
Um curta-metragem experimental feito em escola de Juiz de Fora será exibido na Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece de 25 a 30 de junho. O projeto foi desenvolvido durante uma oficina de formação do Festival Internacional de Cinema e Cultura da Diversidade (Festicidi) e contou com a participação dos alunos do 4º ano do Instituto Estadual de Educação de Juiz de Fora, a Escola Normal. Os estudantes foram convidados a pensarem sobre a primavera dentro da própria escola, traduzindo com seus olhares e vivências a chegada da estação. A obra foi chamada de “Aprendendo com os olhares da primavera” e será exibida no sábado (28), às 11h30, e também está disponível on-line no site do evento.
A obra fez parte da oficina Cine-Primavera, no festival realizado pela Associação Cultural CineFanon, que teve como parceiras os grupos Travessia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e ECOS da Universidade Federal de São João del-Rei. Lilian Gil, coordenadora pedagógica da Associação Cultural CineFanon, explicou que, depois de mostrarem várias obras audiovisuais para os alunos, eles foram convidados a também pensarem de uma maneira mais própria — podendo elaborar como essas imagens apareciam em seu entorno.”Conseguir trabalhar dentro da escola com o audiovisual e todo o contexto, dá a possibilidade de outros olhares em relação aos espaços que têm e o próprio uso da captação. É uma liberdade quase poética deles poderem se expressar por meio das imagens”, diz.
A atividade aconteceu em 18 de setembro de 2024, e dentro do próprio festival os alunos puderam ver a obra que incorporou suas experimentações. “Eles ficam empolgadíssimos porque vão pra esse espaço, em formato de cinema, com esse cuidado da apresentação. Depois, abrimos espaços para eles falarem de suas experiências. O festival ganha muito em trazer essas crianças e fazer esse trabalho dentro das escolas”, diz ela.
O organizador do Festicidi, Ugo Soares, celebrou a inclusão do curta na programação, entendendo que a proposta que tiveram na oficina tem um papel importante na formação e educação pela imagem, assim como propõe o festival. “É um cinema que tem a ver com a nossa forma de nos localizar no mundo. Há uma poesia, e todo o contexto para além do que se vê na tela, mexe com as estruturas emocionais deles. Além de demonstrar camadas não visíveis para a sociedade, contribuímos com uma formação humana, de pessoas mais abertas e sensíveis. Investir em cinema e educação, na nossa visão, é isso.”
Olhar sensível para o entorno
Incentivar um olhar sensível para o entorno guiou a proposta do curta, que fez com que os alunos precisassem examinar o ambiente que habitam de outra maneira e encontrar formas de se expressar pela imagem, com autonomia. “Essas oficinas de audiovisual na escola também contribuem na exploração da criatividade, do trabalho coletivo e do conhecimento da linguagem do audiovisual (…) Tentamos trazer mais sensibilidade em relação ao que captar e recortar, pra trazer uma proximidade com o ambiente em que eles estão e o que vivenciam”, explica Lilian.

Para Ugo, isso está totalmente relacionado ao audiovisual que buscam estimular, e que se difere do que está no mainstream ou mesmo da sensação de que se precisa de muito investimento para produzir filmes. “Com a nossa visão de mundo, que é que o audiovisual não serve só para entretenimento, mas também para trazer à tona narrativas silenciadas e autores e autoras que não encontram espaço para mostrar seus produtos na mídia hegemônica, conseguimos fazer trabalhos assim”, conclui.
Sessão especial na escola
Além de continuarem com projetos de formação nas próximas edições do Festicidi, já confirmada para 2025, será feita uma exibição especial do curta para os alunos e funcionários da escola em 8 de julho. Para os envolvidos com o projeto, a beleza do audiovisual também é isso — poder chegar a lugares que não imaginavam antes e deixar uma marca para o futuro.









