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Na terra do Tio Sam


Por WALLACE MATTOS

15/03/2015 às 06h00- Atualizada 15/03/2015 às 10h41

Sérgio Moraes orienta Henrique Tostes durante treinamento

Sérgio Moraes orienta Henrique Tostes durante treinamento

Um dos mercados que mais cresce em interesse pelo futebol é o norte-americano. As recentes idas do meia Kaká e do lateral-direito Léo Moura para ligas dos Estados Unidos, além do leque de jogadores já consagrados na Europa que passaram e ainda atuam por lá, demonstram isso na prática nos últimos anos. Aproveitando o bom momento para o soccer, como chamam o esporte na América do Norte, um juiz-forano deixa a cidade na próxima quarta-feira rumo à terra do Tio Sam. O meia do Clube Bom Pastor Henrique Tostes, 16 anos, recebeu o convite e vai atuar pelo sub-17 do Chesapeake Futbol Club, da cidade de Centreville, no estado de Maryland.

A transferência é o primeiro fruto prático do trabalho desenvolvido pelo técnico do Bom Pastor e consultor da Tetra Brazil – empresa parceira do clube norte-americano -, Sérgio Moraes. Há cerca de seis anos, o profissional local divide seu ano entre ministrar aulas em suas escolinhas de futsal e futebol em Juiz de Fora e passar temporadas como treinador da empresa internacional nos Estados Unidos. “Escolhi o Henrique porque ele tem o perfil de atleta que os americanos querem. Primeiro, a qualidade técnica do futebol, claro. Mas não só isso. Ele tem foco, determinação, disciplina e se dedica aos estudos. São todas essas características que fizeram dele a escolha natural para inaugurar essa ponte de atletas com o time americano que, espero, aconteça mais vezes daqui para a frente”, explica Moraes.

Henrique recebeu o convite como uma oportunidade não só de engrenar na carreira no futebol, mas como um projeto de vida. “Sempre tive vontade de jogar futebol, mas não quero abandonar os estudos. O objetivo dessa ida é exatamente isso. Pediram um jogador com 16 anos, que tivesse nascido no segundo semestre, e as coisas foram dando certo. Não fazia ideia de nada e, nas minhas férias, recebi uma mensagem do Sérgio dizendo que me mandaria para os Estados Unidos, pois tinha o perfil. Fiquei muito feliz, e agora chegou a hora de embarcar”, conta o local, que vai primeiro se dedicar, além dos treinos, a estudar inglês, buscando ser aprovado em um teste para poder ingressar no sistema de ensino americano. “Como o clube tem convênio com uma high school (correspondente ao ensino médio brasileiro), a ideia é terminar os estudos lá e conseguir uma bolsa em uma universidade através do futebol”, revela o meia.

Apoio

Quanto à família que fica em Juiz de Fora, a mãe de Henrique, Karina Tostes, garante que está contente pela mudança de vida do jovem, mesmo que já ande tendo que controlar a saudade. “Nunca imaginei que o futebol ia levá-lo para fora do país. É uma alegria muito grande estar vivenciando essa oportunidade dada ao Henrique. A família apoia, porque o sonho de ser jogador sempre fez parte da vida dele, e uma chance de ir morar nos Estados Unidos não surge sempre. Será uma experiência de vida e tanto e, mesmo que ele não venha a se profissionalizar, terá adquirido uma bagagem enorme. É um novo projeto de vida que se inicia, e estamos torcendo muito. A saudade já começa a bater, mas a gente controla, porque sabe que ele esta indo atrás do que sonhou”, diz.