INFLAÇÃO ASSOMBRA
A economia encolhe a olhos vistos. A inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE chegou a 7,7% no acumulado em 12 meses, a maior taxa registrada desde maio de 2005, quando foi de 8,05%, e muito acima dos 6,5% do teto da meta do Governo. O que mais assusta é que o mercado esperava desaceleração em fevereiro, em função de uma menor pressão dos preços dos alimentos e de os reajustes nos preços administrados já terem impactado o índice de janeiro.
A alta de 1,22% em fevereiro foi puxada pelo aumento da gasolina, o maior vilão da inflação do mês, assombrado também pelo aumento da energia elétrica, carros novos e cursos regulares. O que chama a atenção é que os preços que mais subiram são decorrentes de aumento de impostos, como o Pis/Cofins e recomposição da alíquota dos Impostos de Produtos Industrializados (IPI) – gasolina, carro novo, eletrodomésticos e cosméticos -, e da alta do dólar – saúde e cuidados pessoais, produtos de limpeza, eletrodomésticos.
Além de impor freio no consumo, a inflação corrói a renda do trabalhador, que já sente a retração de vagas no mercado. Ainda é cedo para se dizer sobre o comportamento da inflação em 2015, mas analistas têm se mostrado pessimistas, vislumbrando o pior cenário em uma década. O remédio é amargo, mas os juros altos são inevitáveis nesse contexto. Porém, outras medidas se fazem necessárias, pois, a longo prazo, os juros altos têm efeitos colaterais graves, já que não inibem apenas o consumo, mas principalmente os investimentos necessários para que a economia volte a crescer.











