Delegado quer fechar cerco a homicídios

Para delegado, um dos objetivos é acabar com audácia de criminosos
“Não podemos permitir o que aconteceu no Santa Rita, de um senhor de 50 anos ser atingido no tórax por tiro por causa de briga de jovens inconsequentes.” A afirmação do novo titular da Delegacia de Homicídios, Rodrigo Rolli, é só uma mostra do trabalho de repressão aos crimes contra a vida que ele promete desenvolver à frente da especializada. Em entrevista à imprensa, na manhã de ontem, ele informou que vai pedir a prisão e o acautelamento dos cinco suspeitos de envolvimento no episódio de horror presenciado por cerca de 50 pessoas, no dia 1º, na Unidade de Atenção Primária à Saúde (Uaps) no bairro da Zona Leste. Segundo o delegado, dois adolescentes, dois homens e uma mulher participaram de forma direta ou indireta da execução do jovem Maxwell Ferreira Guedes, 25 anos, morto com 18 perfurações à bala pelo corpo. Um dos tiros ainda feriu gravemente o paciente que estava ao lado, aguardando atendimento.
“Uma das nossas preocupações é de que essas condutas audaciosas não aconteçam. Não vamos permitir que atinjam vítimas inocentes. Vamos fazer completa represália a esse tipo de conduta. O que aconteceu no Bairro Santa Rita mostrou total ousadia por parte dos autores dos crimes. A polícia repressiva, no caso a polícia judiciária, fará com que os inquéritos sejam céleres para dar uma resposta à altura, não deixando a sociedade à mercê dessas pessoas”, enfatizou o delegado.
Investigações da Polícia Civil apontaram que o assassinato na Uaps tem relação com dois homicídios de jovens ocorridos nos meses de julho e agosto na Zona Leste. Segundo Rolli, depois da primeira morte, pessoas ligadas à vítima vingaram o crime com mais um assassinato, que novamente foi revidado com a execução pública no Santa Rita. “Não podemos esperar que mais mortes aconteçam entre essas duas facções. Aqui não á faroeste, onde as pessoas chegam em um salão atirando.” Ele não descartou a possibilidade da ousadia de bandidos ser causada por uma sensação de impunidade. “Se acham que estão em uma zona de conforto, isso vai acabar”, garantiu.
Desde que assumiu a Delegacia de Homicídios, em 30 de setembro, Rolli trabalha na elucidação de dois assassinatos – o caso da Uaps e a morte de Geverson Rodrigo da Silva Dias, 27, no dia 29 do mês passado no Bairro Vale do Amanhecer, entre os bairros Linhares e Recanto dos Lagos, Zona Nordeste – e de quatro tentativas de homicídio, nos bairros Jardim Gaúcho, Zona Sul, Jóquei Clube e São Judas Tadeu, região Norte. Apenas o último crime não foi esclarecido. Em relação aos outros, além de terem os suspeitos identificados e os pedidos de prisão em andamento, suas motivações já foram apontadas: dívida de drogas, rixa de bairros e disputa por pontos de tráfico.
Conforme o delegado, esses três motivos aparecem em quase todos os cerca de cem homicídios registrados este ano no município, além dos casos passionais. De acordo com levantamento da Tribuna, que também leva em consideração as mortes ocorridas posteriormente aos crimes, até ontem foram registrados na cidade 107 assassinatos em 2014, contra 139 em todo o ano passado. Rolli lembrou que a maioria dos casos está concentrada nas regiões Norte, Leste e Sudeste do município.
Criminosos querem impor a ‘lei do silêncio’
Com o intuito de dar uma nova dinâmica de trabalho à Delegacia de Homicídios, o delegado Rodrigo Rolli se reuniu com a Polícia Militar, com os capitães de cada área, com o Poder Judiciário e com o Ministério Público. “Contamos não só com os órgãos públicos, como também com a sociedade, que pode denunciar os fatos de forma anônima”, disse Rolli. Ainda conforme o delegado, por meio de ameaças, os criminosos fazem imperar a “lei do silêncio” para tentar dificultar a apuração policial, mas a população pode contribuir em sigilo. “Na Uaps saíram falando ‘quem caguetar tá morto”, exemplificou. Segundo ele, quem tiver qualquer informação que possa contribuir para desvendar crimes contra a vida, pode ligar para a delegacia pelos telefones 3235-6521 e 3235-6478. Ele lembra que ligações anônimas também podem ser feitas para o número 181, do Disque-Denúncia Unificado (DDU).
Cinco presos
Operações conjuntas, tanto com a PM, quanto com outras equipes da Polícia Civil, também vão integrar os trabalhos de repressão, segundo Rolli. Na manhã de ontem, cinco jovens, com idades entre 19 e 25 anos, foram presos durante operação da Delegacia Antidrogas, com apoio da equipe da Homicídios, no Bairro Jardim Natal, Zona Norte. De acordo com a delegada Mariana Veiga, que assumiu este mês a especializada voltada para o combate ao tráfico, os homens foram capturados mediante mandados de prisão expedidos pela Justiça. Os pedidos foram solicitados com base em investigação iniciada há cerca de dois meses, que aponta envolvimento do grupo em crimes de tráfico e homicídio. Ainda segundo a titular, outras duas pessoas ligadas aos suspeitos já estavam presas. Os jovens foram conduzidos à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha, e encaminhados ao Ceresp.








