BOA DISCUSSÃO


Por Tribuna

19/02/2015 às 07h00

No momento em que os atores envolvidos com o carnaval se preparam para discutir se vale ou não a pena continuar com a antecipação do desfile das escolas de samba, é vital colocar na roda a movimentação dos blocos. Foram eles os responsáveis por uma mobilização permanente nas ruas do Centro e bairros da cidade, abrindo espaço para uma vocação adormecida, que ora volta com força total pelo país afora. Até mesmo em regiões onde os desfiles oficiais são uma tradição, como o Rio de Janeiro, o povo foi às ruas brincar por conta própria, improvisando suas fantasias e dividindo a alegria com o parceiro ao lado.

Basta visitar a capa dos jornais dos últimos dias. A despeito do deslumbre das escolas formais, foram os blocos que mostraram o povo nas ruas, não apenas no Nordeste, onde há uma grande tradição, mas também em São Paulo, Juiz de Fora e região, e, até mesmo, em Belo Horizonte. Os blocos voltaram para ficar.

Por conta disso, a discussão em torno da antecipação dos desfiles não deve ser vista como uma guerra entre o bem e o mal. Há opiniões divergentes com argumentos sólidos, que devem ser levados em conta, mas não há indicação de fim da festa. Ao contrário, todos os envolvidos tentam aprimorar o evento. No caso local, o ponto fora da curva foi a ausência dos blocos nos dias de carnaval, ao contrário do que ocorreu nas demais regiões.

O folião local se esbaldou com antecedência, mas ficou à deriva no domingo, na segunda e na terça-feira. Se os blocos tivessem sido mantidos, até mesmo o argumento de a Banda Daki fechar a festa estaria vencido. Ao contrário, como entidade que puxa a maioria dos foliões, estaria, em vez de fechar ou abrir a festa, no meio da grande folia de Momo.