DISTRITOS ELEITORAIS


Por Tribuna

15/02/2015 às 07h00

Se, de fato, for adiante, como anuncia o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o debate em torno da reforma política tende a ser profícuo, pois, em diversos e importantes temas, já há divergências abissais. Estas, no entanto, longe de caminharem para um possível impasse, enriquecem a discussão. O voto distrital pode, paradoxalmente, colocar PT e PSDB do mesmo lado, incluindo-se o PSB, pois todos discordam da proposta do distritão, encampada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, que fala pelo PMDB.

Da mesma forma, o financiamento público de campanha tende a ser polêmico, pois seus defensores consideram ser o antídoto contra a corrupção, enquanto seus críticos enfatizam que ele já existe, exemplificando o custo do horário eleitoral, que não tira um só tostão dos candidatos, e o fundo partidário, que deveria ser suficiente para bancar as candidaturas dos filiados.

Quanto ao distritão, o argumento central é dar fim às candidaturas de carona, que chegam aos parlamentos graças aos puxadores de voto, gerando situações contrárias ao interesse do eleitor. Um parlamentar com cerca de um milhão de votos, como o palhaço Tiririca, leva pelo menos três outros colegas de coligação, que podem ter tido votação pífia, enquanto outros, em decorrência do quociente eleitoral, mesmo bem votados, ficam fora do jogo.

Mas há o outro lado da moeda. O modelo de se eleger apenas o mais votado, como já ocorre para os cargos de presidente, governador, prefeito e senador, traria graves distorções ao Legislativo, que seria formado por quem pode mais financeiramente, deixando à margem importantes estratos sociais, carentes de recursos para enfrentar uma eleição. Além disso, enfraqueceria a representação partidária, criando-se um parlamento de cada um por si. O debate promete.