DIA DE DECISÃO
Aos domingos, o brasileiro tem por hábito acompanhar decisões esportivas, mas não é o que vai ocorrer hoje. Quatro deputados disputam a presidência da Câmara, posto estratégico não apenas para os parlamentares mas também para o Governo, que espera encontrar no chefe do Legislativo um aliado fundamental. Um presidente hostil é um problema a mais na já custosa relação com o Congresso. Por conta disso, Arlindo Chinaglia (PT), Eduardo Cunha (PMDB), Júlio Delgado (PSB) e Chico Alencar (PSOL) jogam todas as fichas na campanha, pois sabem o que representam num cenário de coalizão.
O presidente da Câmara não é uma figura responsável apenas pela pauta mas também pelo andamento dos projetos, das comissões técnicas e até mesmo as de inquérito. É o terceiro na linha sucessória e fala por outros 512 deputados. Não é pouca coisa, sobretudo pelo significado do Congresso num processo democrático. O Executivo, no discurso, repete, há anos, que os poderes são harmônicos e independentes, mas, desde a democratização do país, e também antes dela, a ação direta da máquina na eleição é um caso à parte. Entre o que se diz e o que se pratica, o jogo costuma ser pesado em nome de diversos interesses.
Também em Belo Horizonte, embora em menor escala e por não haver oponentes, a eleição do presidente da Assembleia tem acompanhamento direto do Palácio, pois a relação é a mesma. O governador Fernando Pimentel aposta no aliado Adalclever Lopes. Político escolado, ele não se prendeu apenas à base governista, buscando aliados também na oposição. Para tanto, usou o infalível apelo de colocá-la também na Mesa Diretora. Em Brasília, não se chegou a tanto, mas, se houver segundo turno – o que é o mais provável -, o jogo poderá envolver outros tipos de barganha.











