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Bando apedreja ônibus na Zona Sul e fere dois


Por Sandra Zanella

27/12/2012 às 21h50

Coletivo teve oito vidros quebrados durante ação criminosa

Coletivo teve oito vidros quebrados durante ação criminosa

Um ônibus da Viação Santa Luzia foi apedrejado e teve oito vidros quebrados durante ação criminosa, na noite de quarta-feira, no Bairro Previdenciários, Zona Sul. Os estilhaços feriram as pernas de dois adolescentes, de 16 e 17 anos, que estavam no interior do coletivo da linha 129, mas as vítimas dispensaram atendimento médico. Seis suspeitos foram identificados por populares, no entanto, nenhum deles foi encontrado pela Polícia Militar. Só este mês, esse foi o 11º caso de dano ocasionado por arremesso de pedras em veículos da mesma empresa, que também atende a bairros da região Nordeste. Ainda conforme a empresa Santa Luzia, 70% das ocorrências estariam relacionadas a rivalidade de grupos de jovens, enquanto os outros 30% poderiam ser considerados atos de vandalismo.

No crime mais recente, as vítimas eram moradoras dos bairros Santa Rita e Bonfim, ambos na Zona Leste. O ônibus estava parado no ponto final da Rua Haroldo Furtado Vidal, por volta das 19h30, quando jovens cercaram o coletivo de ambos os lados e jogaram pedras, ocasionando a quebra de quatro vidros de cada lateral. Segundo o encarregado operacional da viação Raimundo Santos, o Previdenciários não teria histórico desse tipo de violência. "Dois rapazes de outro bairro estavam circulando dentro do ônibus. Quando chegou no ponto final, o motorista, cobrador e os outros passageiros desceram. Depois disso, pedras começaram a ser atiradas dos dois lados."

De acordo com a empresa, a Rua Bady Geara, no Ipiranga, a praça do Santa Efigênia e vias do Bairro Santa Luzia são os locais de maior incidência de danos nos veículos na região Sul. Já na Zona Nordeste, os pontos críticos seriam o trevo de acesso ao Parque Guarani, a entrada para o Granjas Bethânia e a praça de Grama. "Estamos com problemas há alguns meses, principalmente por motivo de brigas de gangues", observou o gerente administrativo da empresa, Isaias Freitas. No último dano, o prejuízo para substituição dos vidros foi avaliado em R$ 500.

Outro encarregado operacional da viação Urânio Saturno Fraga disse que o período noturno é o mais crítico, embora haja casos também em plena luz do dia. "Tivemos muitos vidros quebrados por apedrejamento este ano. Há meses em que o número de carros danificados chegou a 15. Em todas as vezes, registramos boletim de ocorrência", garantiu. "Só na semana passada, tivemos três para o lado do Santa Luzia e Ipiranga. Na maioria das vezes, há perda de dois, três vidros, mas também já quebraram oito no Parque Guarani, como desta vez, no Previdenciários."

De acordo com o encarregado Raimundo, na Zona Sul, a situação teria piorado após a ocupação de condomínios de apartamentos construídos por meio dos programas "Prefeitura casa própria" e "Minha casa, minha vida". Ocorrências graves foram registradas em dois deles este mês. No dia 11, as cerca de 380 famílias do Residencial Araucárias, no Sagrado Coração, ficaram acuadas e viveram momentos de medo diante de uma série de brigas de jovens rivais, alguns deles munidos com paus, pedras e até armas de fogo. No dia seguinte, a PM apreendeu 25 papelotes de cocaína nas dependências do mesmo condomínio após novo confronto, que deixou um rapaz ferido. No dia 13, um garoto, 14, foi atingido por um tiro no rosto dentro do Vivendas Belo Vale, no São Geraldo. A suspeita é de que um revólver calibre 32 tenha disparado acidentalmente quando ele e uma jovem, 19, manuseavam a arma. A vítima não resistiu e faleceu dias depois no HPS. "Depois que construíram os prédios, começaram a ter desavenças, porque misturou gente de vários bairros", observou Raimundo.

 

 

 

 

Medo ronda motoristas, cobradores e usuários

Além do prejuízo financeiro, os apedrejamentos a ônibus da Viação Santa Luzia têm causado transtornos devido ao trauma sofrido por motoristas e cobradores. "Às vezes, os funcionários pedem para trocar de linha. Quando esses fatos ocorrem, procuramos mudar a escala daqueles que pedem, pelo menos, por um tempo", informou o gerente administrativo da empresa, Isaias Freitas. Ele observou ser raro haver vítima, apesar do risco diante da ação violenta.

Segundo o encarregado operacional da viação Raimundo Santos, é necessário maior presença da Polícia Militar, principalmente nos pontos finais. "Não tem hora para acontecer. O policiamento ajuda, mas também é necessário um trabalho social nas comunidades, porque são adolescentes e até crianças que estão fazendo isso. Muitas vezes, por falta de ocupação." Ainda conforme o funcionário, a empresa já está fazendo uma lista para contatar presidentes de bairros para a execução de um trabalho conjunto, que também envolva a PM. "Nossa preocupação é grande, e nosso prejuízo tem sido imenso. O motorista que estava na linha do Previdenciários já ligou para não trabalhar mais lá. A população também liga para nós, porque está com medo de andar nos coletivos."

O comandante da 32ª Companhia da PM, capitão Ricardo França, disse que há policiamento específico voltado para garantir a segurança de usuários e funcionários do transporte coletivo urbano na Zona Sul. "Tivemos alguns registros de danos em ônibus no segundo semestre, de pessoas que arremessaram pedras. Não consideramos alarmante, mas todos estão relacionados ao enfrentamento de jovens e, junto com o monitoramento desses grupos, fazemos ações nos pontos de ônibus. Nossas operações de abordagens a coletivos no período noturno são mais para levar segurança do que por conta de ocorrências de danos."