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Familiares de idosa morta cobram justiça


Por Renata Brum

28/04/2012 às 06h00

A violência extrema nos roubos em Juiz de Fora, que resultou na morte de uma idosa de 79 anos, no Bairro São Pedro, e no esfaqueamento de outra, de 72, no Linhares, na semana passada, leva as comunidades a cobrarem justiça. Hoje amigos, vizinhos e parentes de Ana Esther Scheffer, que morava na Cidade Alta, deveriam estar comemorando seu aniversário de 80 anos, mas, ao contrário, estão chorando sua morte e clamando pelo fim da violência na cidade. A partir das 17h, eles se reúnem em frente à Igreja do São Pedro, em ato público, para cobrar da Justiça a pena máxima para os autores do brutal assassinato. Na manhã do dia 18 de abril, a vítima foi morta por asfixia, após sua casa ter sido invadida por dois vizinhos, de 18 e 22 anos, usuários de crack, conforme a Polícia Civil. Eles fugiram levando menos de R$ 100 e bijuterias. O caso chocou a sociedade porque mostra a crueldade a que chegam os dependentes da pedra. Após a vítima já estar sem vítima, jogaram um televisor em seu rosto e retiraram os anéis de suas mãos.

Queremos justiça. Os dois já haviam sido detidos várias outras vezes por furto e roubo e viviam aterrorizando os vizinhos. Deveriam estar presos, mas estavam na rua. O que choca é a crueldade em troca de pouca coisa, comenta uma das organizadoras da manifestação e sobrinha da vítima, Mônica Quinet.

Já no Linhares, na região Leste, outra situação de violência deixa toda uma família ainda refém de um bandido que permanece solto. Uma aposentada, 72, foi esfaqueada sete vezes após um jovem entrar em sua residência e roubar um botijão de gás. A idosa foi encontrada inconsciente, em meio a uma poça de sangue, pelo neto e pelo filho, que pensaram que ela estava morta. Vi um rapaz saindo com o botijão, mas aqui é muito escuro, não deu para ver quem foi. Assim que ele passou, fui ver o que estava acontecendo e encontrei minha avó já inconsciente. Achei que não fosse sair dessa. Ficou seis dias no hospital e hoje nem se lembra do que aconteceu. Ela acha que caiu. Mas fica o medo. Não a deixamos sozinha, conta o neto de 18 anos.

Vizinhos da aposentada, que teve múltiplas perfurações na região cervical e está com o movimento de um dos braços comprometido, confirmam o clima de temor no bairro. Estamos ilhados pelo crack. Taxista não sobe na região conhecida como Boto, motoentregadores deixam de entregar lanches aqui às 23h. Isso tudo porque a área está ficando mais perigosa, porque meninos roubam e matam para comprar droga. O pior é que muitos da região estão comprando as mercadorias roubadas, o que alimenta esses crimes, relata uma comerciante.

Para a polícia, os casos mostram que a violência do crack está extrapolando a esfera familiar. O que tínhamos até pouco tempo eram casos dentro da família dos usuários. Pais, avós eram agredidos pelos filhos e netos viciados, mas, agora, essa violência está saindo das residências e atingindo os vizinhos, sobretudo os mais frágeis, que moram sozinhos ou são idosos. Esses dois casos mostram exatamente isso. Infelizmente essa não é só questão de polícia. Como polícia judiciária, temos que atacar as drogas e, nesses casos, identificar os autores. Mas a questão é mais ampla, é um problema social gravíssimo, conclui o delegado Rodrigo Rolli, responsável pelo inquérito sobre a morte de Ana Esther, que será enviado na quarta-feira à Justiça. Conforme o delegado, os dois jovens serão indiciados por latrocínio (roubo seguido de morte).