PM procura menino de 9 anos que saiu de abrigo no início do mês
A Polícia Militar está à procura do menino de 9 anos, que, junto com outros garotos, vem apedrejando ônibus na região Sudeste da cidade, para entregá-lo ao Comissariado de Menores da Vara da Infância e Juventude. O menino é considerado evadido do abrigo em que estava desde o mês passado, depois que foi divulgado pela Polícia Militar um vídeo em que ele aparece fumando substância semelhante à maconha na Vila Olavo Costa. De acordo com a PM, a criança teria sido identificada por vítimas e usuários dos coletivos que fazem a linha Vila Ideal. Na noite de segunda-feira, outro ônibus da linha 331, da Viação São Cristóvão, foi alvo do grupo. Duas janelas ficaram quebradas após serem atingidas por pedras, mas, por sorte, ninguém se feriu. Essa é a sétima ocorrência, em menos de dois meses, registrada pela empresa. Em duas delas, um cobrador e uma passageira ficaram feridos.
Encarregado do Departamento Pessoal da Viação São Cristóvão, João Freesz, diz que o vandalismo se tornou frequente porque os meninos estariam embarcando nos ônibus sem o pagamento da tarifa. "Eles entram nos coletivos, e os cobradores e os motoristas não deixam que permaneçam. Eles saem e atiram pedras. Dessa vez, atingiram duas janelas. Do jeito que atiram as pedras podem acertar o motorista e causar acidentes maiores, como o tombamento do ônibus. Vidro e lateral do coletivo a gente arruma, mas a vida humana é complicado."
Assessora de comunicação organizacional do 2º Batalhão da PM, capitão Kátia Moraes, ressalta que a 135ª Companhia tem realizado periodicamente reuniões com as comunidades e com as escolas da região a fim de identificar os locais de residência e estudar os envolvidos nos atos de depredação. Ainda segundo ela, um trabalho específico vem sendo desenvolvido na região. "O Grupamento Especializado em Crianças e Adolescentes em Situação de Risco (Geacar) está aliado ao projeto Jovens Construindo Cidadania (JCC). O objetivo é desenvolver um trabalho que vai abarcar alunos, famílias e comunidade. Precisamos mostrar para esses meninos que o ato que vêm praticando é prejudicial para eles e também para a comunidade onde vivem."
Delegado titular da 6ª Delegacia Distrital de Polícia Civil, Carlos Eduardo Rodrigues, explica que as depredações aos coletivos são considerados dano qualificado por se tratar de uma empresa de serviço público. Ele informa que a pena prevista é de seis meses a três anos de reclusão. "Neste caso, por envolver crianças e adolescentes, é considerado ato infracional análogo ao crime de dano. Faremos um procedimento do ato infracional, que será encaminhado à Vara da Infância e Juventude. Mas, por conta da greve na Polícia Civil, o andamento do procedimento pode ficar prejudicado", destacou o delegado.
Coordenadora do abrigo, Adriana Simões, diz que o menino de 9 anos deixou a instituição no dia 1º de maio e que o fato foi informado à Vara no dia 3. "Chegamos a pedir autorização à Vara da Infância para levá-lo, no dia 30, a Itaperuna (RJ), onde ele participou de uma corrida e tirou o terceiro lugar na sua categoria. Voltamos no domingo e, à tardinha, ele pulou o alambrado e fugiu. Infelizmente, ele queimou várias etapas de sua vida, fala como um adulto envolvido no mundo do crime. É um caso melindroso."








