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Criança de 2 anos internada com queimadura


Por Tribuna

10/04/2012 às 06h00

Uma menina de 2 anos está internada na pediatria da Santa Casa, desde a última sexta-feira, com queimadura de segundo grau na genitália. A criança recebeu o primeiro atendimento na Policlínica de Benfica, no dia 6, para onde foi levada pelos pais. Durante a avaliação, a médica de plantão teria suspeitado de maus-tratos, acionando o Conselho Tutelar e a PM. Segundo o boletim de ocorrência (BO), o conselheiro da Região Norte, Peterson Graziano, orientou o hospital, por telefone, a encaminhar o documento à Vara da Infância e Juventude. Localizada pela Tribuna, a mãe da garota disse ontem que a filha se queimou por acidente, através de uma leiteira com água que estava no fogão. A assessoria de imprensa da Santa Casa informou que o estado de saúde da criança é bom, havendo previsão de alta hoje.

O registro do BO, no entanto, indica que C. teria sofrido queda numa banheira com água quente. A menina deu entrada na policlínica às 12h30, mas a mãe teria tentado levá-la de volta para casa. No mesmo dia, às 17h, a garota foi transferida para a Santa Casa. De acordo com a mãe, que tem outros três filhos, a informação que consta no documento da polícia não procede. Ela diz que deixou C. sozinha na cozinha por alguns segundos porque precisava ir ao banheiro. Ela chegou chorando. Quando vi, a água que coloquei na leiteira para fazer arroz estava espalhada pela cozinha. Acho que ela tentou pegar a panela. Jamais maltratei meus filhos. Pelo contrário. Luto para criá-los, afirma a mulher de 26 anos que reside há sete meses em Juiz de Fora, no Ipiranga. Quanto ao fato de não querer manter a filha internada, ela contou que tentou levá-la para casa porque tem outros dois filhos pequenos. Também pedi para cuidar dela em casa, porque meu marido teria que acompanhá-la, sendo obrigado a perder o dia de trabalho. Como ele é servente de pedreiro, tive medo que perdesse o emprego. A mãe informou que, no momento em que tudo aconteceu, a menina estava só de blusa. Estamos sem dinheiro para comprar fraldas.

C. só foi viver com a mãe recentemente. Desde o nascimento, ela residia com familiares, em Paraíba do Sul (RJ), onde permaneceu até março. A mãe diz que a criança tinha problemas de saúde, mas, por falta de recursos, não havia como manter seu tratamento, que incluía nebulizações frequentes. Ela ainda não tem vínculo de mãe comigo, disse. Peterson Graziano informou que o conselho tutelar ainda não foi oficiado sobre o fato, que deverá ser investigado pela polícia.