Ouça agora

Falta de vagas para motos no Centro


Por RENATO SALLES

07/04/2011 às 07h00

Áreas destinadas a estacionamentos de motocicletas ficam superlotadas diariamente, como na Avenida Getúlio Vargas próximo à esquina com Rua Halfeld

Áreas destinadas a estacionamentos de motocicletas ficam superlotadas diariamente, como na Avenida Getúlio Vargas próximo à esquina com Rua Halfeld

 

Estacionar na região Central tem sido um exercício de paciência para os proprietários de motos em Juiz de Fora. Durante toda a semana, é comum ver motociclistas parados em fila dupla à espera de uma vaga. A falta de espaço faz com que muitos espremam suas motocicletas em espaços onde, segundo a marcação da pista, deveria estar apenas uma. A Tribuna circulou pelo Centro e, na última quinta-feira, contou 63 motos estacionadas em uma área onde há demarcação no asfalto para 40, na Avenida Getúlio Vargas esquina com Rua Halfeld.

 

 

O estudante Robert Mendes afirma que, às vezes, é preciso procurar mais de meia hora até achar uma vaga. "Quando encontra, é sempre um espaço apertado, com as motos próximas. Isso provoca risco de acidentes. Você pode se queimar encostando em um cano de descarga ou então encontrar sua moto caída quando retornar."

 

 

O problema atinge ainda os pedestres, já que, em alguns pontos, as motos estacionadas invadem as faixas destinadas a eles. Quem usa o veículo como meio de transporte e aqueles que garantem seu sustento sobre duas rodas também acabam prejudicados. Para o motoboy Jorge Rodrigues, a falta de vagas significa problema. "Em todo o Centro, a situação está horrível. Além de gastar combustível dando voltas até encontrar um espaço, você pode ser multado se parar um pouco fora da faixa."

 

 

O subsecretário de Mobilidade Urbana, Carlos Eduardo Meurer, afirma que a situação se deve ao crescente aumento da frota de motocicletas e ao acanhamento viário da região central. "Temos uma exiguidade de espaço tanto para circulação quanto para estacionamento. É um fenômeno observado em todas as cidades brasileiras e mundiais. Temos registrado um aumento no número de motocicletas maior do que o observado no de carros. Para atender a essa demanda, tentamos montar um quebra-cabeça do espaço urbano. Se criarmos novas vagas para as motos, temos que tirar espaços destinados a outras utilizações."

 

 

Nos últimos dez anos, a quantidade de motocicletas emplacadas na cidade mais que triplicou, saltando de 7.101 para 23.269. No caso dos carros, a evolução foi menor, registrando 60% – de 78.232, em fevereiro de 2001, para 125.226 atuais. No total, em uma década, a frota total da cidade saltou de 103.459 unidades para 180.575, o que corresponde a um aumento de 74%.

 

 

Segundo a Settra, em 2011, foram criadas oito vagas para motos na região central. A principal área comercial da cidade conta com 545 estacionamentos para motocicletas, uma vaga para cada 42 motos registradas na cidade.

 

 

 

Motoboys cobram maior rotatividade

 

 

Uma das principais queixas dos motoboys é a falta de rotatividade das vagas para motocicletas na região Central. Segundo o presidente da Associação dos Motoentregadores de Juiz de Fora, Antônio Carlos Lourenço, o Toninho Motoboy, os trabalhadores se revezam nos poucos espaços existentes. "Os lugares mais complicados são a Avenida Getúlio Vargas e as ruas Santa Rita e Floriano Peixoto. Tem motociclista que estaciona nessas vagas pela manhã, vai ao trabalho e só retira a moto à noite, ao contrário dos motoboys que liberam o espaço em um curto espaço de tempo. Muitas vezes, os motoboys param em fila dupla à espera de outro motoboy que está estacionado."

 

 

Para Toninho, a criação de espaços específicos para a categoria seria uma solução. Porém, ao contrário do que acontece com os carros, cujos condutores pagam R$ 1 para ocupar por 90 minutos uma vaga da Área Azul, a categoria rechaça qualquer taxação. "Não seria interessante criar vagas rotativas pagas para motos, já que não poderíamos repassar isso para os clientes. Antes da atual gestão municipal, existiam cerca de 40 vagas exclusivas para motoboys em alguns pontos da região Central. Na época, havia rotatividade. Isso facilitava o nosso trabalho, além de permitir que as motos sem baú utilizassem as demais vagas sem problemas."

 

 

Entretanto, segundo o subsecretário de Mobilidade Urbana, Carlos Eduardo Meurer, atualmente, não há projeto de vagas de uso exclusivo para motoboys. "Estaríamos segmentando a demanda e privilegiando um grupo específico. Não podemos prejudicar uma categoria em detrimento de outra. Temos que ser democráticos. Muitos também usam motos sem baú para trabalhar. Estamos trabalhando para atender a todos dentro do possível."