Aposentados estão na mira de golpistas
Aposentados de Juiz de Fora estão na mira de uma fraude que percorre o país por meio de cartas que informam sobre o suposto direito a receberem valor referente à previdência privada. As denúncias ganharam repercussão depois da publicação da reportagem "Estelionatos contra idosos crescem 61%", nesta terça-feira (11), a partir de dados da Polícia Civil que revelam que esta é a modalidade de crime praticada contra idosos que mais cresceu na cidade entre 2011 e 2012. Nesta terça, nova denúncia foi feita por um aposentado no Serviço de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal (Sedecon). O golpe consiste em informar que a vítima teria direito a um pecúlio jamais contratado – mediante depósito de 4% sobre o valor que o "segurado" teria direito. A Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) também recebeu denúncia de dois juízes aposentados a quem foram endereçadas correspondências com o mesmo conteúdo.
Em Juiz de Fora, um aposentado de 64 anos recebeu, esta semana, uma "apólice de liberação de benefícios dos segurados", informando que teria direito ao pecúlio de R$ 71.200, além de aposentadoria complementar vitalícia de seis salários mínimos. Para resgatar o suposto benefício, precisaria ligar para a empresa Sagres – Seguros e Previdência Privada, cujos telefones constam no documento. Ao suspeitar que poderia ser golpe, o aposentado buscou na internet informações sobre a empresa e se espantou ao descobrir que a mesma fraude já havia sido aplicada em diversas regiões. Com a intenção de alertar a população, a denúncia foi formalizada no Sedecon. O que intriga o aposentado é descobrir como os suspeitos tiveram acesso a seus dados pessoais, que estão corretos na carta recebida. Conforme o Sedecon, a empresa será notificada e convocada para audiência, mas, como há suspeita de que não exista, o caso será encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais. As pessoas que receberem a correspondência devem procurar as autoridades policiais para denunciar.
Um indicativo de que o golpe possa estar partindo da cidade é o fato de, no envelope, constar endereço do remetente de Brasília, mas nome de uma agência de correios local. Pelas inscrições "AC Benfica" no carimbo, os Correios informaram que a postagem aconteceu, provavelmente, em Juiz de Fora, na agência do Bairro Benfica, na Zona Norte, unidade dotada de sistema de vigilância eletrônica. Entretanto, ressaltou que o carimbo pode, sim, ter sido clonado ou falsificado, e que, neste caso, os golpistas podem ter remetido a correspondência via caixa coletora. A empresa, porém, destacou que a apuração caberá à polícia.
Delegado da Polícia Federal, Cláudio Dornelas diz ter sido informado extraoficialmente sobre o suposto golpe e que aguarda a documentação para realização de perícia. "Parece ser um caso de estelionato, cabendo apuração à Polícia Civil, mas vamos aguardar os documentos para verificar se houve falsificação do selo postal dos Correios. Caso seja confirmada a fraude, vamos instaurar inquérito, já que os Correios são uma empresa pública federal."
A Tribuna tentou contato com a Sagres Seguros e Previdência Privada a partir dos números telefônicos disponíveis nas apólices, mas, em todas as tentativas, as ligações caíram na caixa de mensagens. Já a Sagres Corretora de Seguros, que existe em Brasília, amarga prejuízos com o uso indevido de parte de seu nome. O diretor da corretora, Claus Roberto Viana, que publicou nota de alerta em seu site, acredita que um grupo criminoso esteja atuando cada momento em um lugar do país. "Recebemos cerca de 20 ligações por dia. Algumas vítimas ligam para saber informações e outras para reclamar e dizer que vão nos processar, mas não podemos fazer nada, a não ser esclarecer sobre o golpe. Essa empresa das cartas não existe, já que não somos uma seguradora, e a Sagres seguradora era portuguesa, mas foi comprada por outro grupo e não tem mais esse nome."










