Abraço coletivo contra corte de praça no São Mateus

Ato ocorreu pela manhã, na Jarbas de Lery Santos
Moradores do São Mateus e frequentadores da Praça Jarbas de Lery Santos, situada no coração do bairro, promoveram, neste sábado (29), um abraço coletivo em volta da maior árvore do espaço público. O objetivo do ato simbólico foi alertar as autoridades sobre o descontentamento da população com a possibilidade de modificação no sistema de trânsito do São Mateus. O projeto, que incluiria um corte de parte da praça para ampliação de uma das pistas da Avenida Itamar Franco, foi alvo de audiência pública realizada este mês na Câmara Municipal. Na ocasião, a comunidade debateu sobre o tema, questionando a perda do espaço de lazer. Na reunião, o secretário de Transporte e Trânsito, Márcio Gomes Bastos, ponderou que a proposta inicial era de que as obras apenas margeassem a Jarbas de Lery, evitando abrir uma rua no local. Ele frisou que a intenção era atender à necessidade da população, privilegiando os pedestres e a segurança.
Às 11h30, idosos, crianças, jovens e adultos deram as mãos no entorno da árvore simbolizando o carinho que têm com o local. Lúcia Barbosa, 70 anos, moradora há dez do São Mateus, contou que passeia com seu cachorro todos os dias na praça. "Acho um absurdo tirarem um pedaço daqui. Olha o verde, isso faz bem para as crianças e adultos. Aqui é um ponto de referência para nós, onde nos encontramos e fazemos amizade."
A suposta modificação no traçado da Jarbas de Lery também afeta os comerciantes de artesanato, que expõem todos os sábados. "Estou aqui há 15 anos e tenho medo de perder o espaço. Fomos à reunião, e falaram que o projeto não está elaborado. Então, ficamos na expectativa", disse Maria Aparecida Carvalho, 52, proprietária de uma barraca. "Esta árvore é a minha vida, pois está comigo desde que comecei na feira", completou, se referindo à espécie que foi abraçada.
Morador do Granbery, na região central, o vendedor autônomo Luiz Vanderley de Almeida, 45, também participou do ato de protesto pacífico. Ele contou que costuma levar a filha, 6, para brincar na praça. "É o espaço de lazer mais próximo que temos." A professora de artes aposentada Maria Fátima de Tolêdo, 56, foi uma das responsáveis pela organização do encontro. "Muitos cadeirantes e idosos gostam de vir aqui tomar sol. A praça representa contato com a natureza e espaço de convívio entre as pessoas, inclusive dos bairros do entorno."







