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Reencontro após 45 anos


Por Tribuna

24/04/2012 às 06h00

Nilton Ferreira veio do interior do Mato Grosso do Sul

Nilton Ferreira veio do interior do Mato Grosso do Sul

Segunda-feira, 23 de abril, 13h30. Faltavam cerca de duas horas para que a espera de 45 anos pelo reencontro com o pai acabasse para Margareth Aparecida Ferreira Barbosa, 50 anos, e Maria Eliza Ferreira Barbosa, 46. "Hoje (ontem), no Dia de São Jorge, vou rever meu pai, que agora entendo que também foi um guerreiro, por viver tantos anos longe da família", comemorava Margareth. Antes de seguir para o Aeroporto da Serrinha, onde, às 15h45, aterrissou o avião que trouxe Nilton Ferreira, 74, de Aquidauana, no interior do Mato Grosso do Sul, as duas filhas do bombeiro hidráulico aposentado e músico tentavam conter a emoção. "Eu falava que ia conhecer meu pai. Sempre tive esperança e fé, e, agora, esse dia chegou", disse Eliza.

A filha mais nova de Nilton, que o viu pelo primeira vez ontem, cresceu tendo a certeza de que o pai estava vivo. Em todos os Natais, desde criança até 2010, escrevia cartas ao Papai Noel, pedindo para conhecê-lo. Na última, colocou o telefone de contato pelo qual, há um ano, descobriu que seu desejo seria atendido. Em abril de 2012, a família foi informada que Nilton morava há sete anos em um asilo em Aquidauana. O idoso viajou para Cuiabá em 1965, como empregado de uma construtora. Depois passou por Rondonópolis e Campo Grande antes de chegar a Aquidauana, em 1973, onde trabalhou como músico. Um acidente, no qual teve o fêmur quebrado, o levou ao abrigo. Foi por meio de uma funcionária da casa que a vontade de rever a família deixada em Minas foi transmitida à prefeitura do município, que fez contato com cartórios e delegacias mineiras até localizar os familiares de Nilton.

Desde então, Margareth conversa por cartas e telefone com o pai, de quem guarda pouquíssimas lembranças e uma fotografia herdada dos avós paternos. "Tomei benção e tudo". Criada em um orfanato em Belo Horizonte, cidade na qual também nasceram Eliza e o irmão Fernando, 48, Margareth chegou a Juiz de Fora, aos 14 anos, para viver com a mãe, que faleceu há nove meses, pouco depois de descobrir o paradeiro do ex-companheiro. Eliza também fincou raízes por aqui, após permanecer sob os cuidados de uma tia paterna até os 10 anos. Elas não guardam ressentimentos do pai. "O amor que nos faltou na infância receberemos a partir de agora", afirma Eliza.

"Eu vi você nascer", disse o idoso à filha mais nova, ao desembarcar no Serrinha. Sobre o reencontro após quase meio século, se limitou a dizer: "É muita emoção, não é fácil." Segundo o aposentado, a saudade era enorme, mas a falta de endereços e telefones impedia o contato. Agora, ele irá morar com as filhas, que ainda custam a acreditar no encontro. "Parece que estou vivendo uma novela", repetia Margareth.