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Jovens querem redução de tarifa


Por EDUARDO VALENTE

09/06/2013 às 07h00

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Os jovens de Juiz de Fora foram ouvidos. Por meio de um documento inédito, que deve ser enviado ainda este mês para o Executivo, eles reivindicam a redução do preço da passagem de ônibus durante os fins de semana; o uso de um trecho da Avenida Rio Branco, aos domingos, para prática de esporte e lazer; melhorias nas escolas; ampliação na oferta de cursos profissionalizantes e mais acesso à cultura, principalmente nos bairros. Estas e outras diretrizes integram o Plano Municipal da Juventude (PMJ), elaborado com a participação de alunos de escolas públicas e particulares, associações comunitárias, profissionais da educação e representantes de grupos culturais. Sugerido pelo vereador Jucelio Maria (PSB), o documento, que inicialmente seria apresentado como projeto de lei, deve chegar ao plenário como mensagem do Executivo.

O PMJ ainda pode sofrer alterações, mas a primeira versão elaborada, à qual a Tribuna teve acesso com exclusividade, tem 62 diretrizes, em sete eixos: trabalho e cultura, esporte e lazer, diversidade e segurança, saúde e qualidade de vida, território, mercado de trabalho e inclusão social e participação dos jovens.

Para o coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas de Controle Social da UFJF, o sociólogo André Gaio, esta metodologia de trabalho é a melhor possível, principalmente pelo fato de inverter a ordem habitual e dar voz à juventude. "O Legislativo, normalmente, preocupa-se com o fato, promove audiência pública para discuti-lo e só. Ouvir a própria população envolvida é muito interessante. Porém, não acredito que as sugestões que preveem gastos serão colocadas em prática. Ainda não conheço o plano, mas imagino que haja demandas diversas para atender jovens de estruturas distintas", comentou.

 

Encontros temáticos

As diretrizes surgiram após reuniões temáticas com o público-alvo. Uma das participantes foi a professora Eliane Souza, que, há 33 anos, trabalha com crianças e adolescentes. "É a primeira vez que vejo um trabalho assim. Desenvolvo discussões sobre estes temas na escola e percebi que a sociedade tem as mesmas demandas: políticas públicas para a juventude, com mais cultura, lazer e esporte. Exigimos educação com mais qualidade e abertura maior para o novo. É importante sair da proposta curricular e colocar no conteúdo assuntos que prendam a atenção do aluno."

Eliane leciona na Escola Municipal Doutor Adhemar Rezende de Andrade, no São Pedro, Cidade Alta, onde já existe um núcleo que discute violência e sociedade com os estudantes. Segundo ela, uma das propostas do plano, que é a criação de fóruns entre instituições de ensino para compartilhar experiências bem sucedidas, servirá para apresentar o trabalho desenvolvido na escola e inspirar diretores e alunos a fazerem o mesmo. "Levamos 12 alunos para as reuniões. Eles se sentiram prestigiados e importantes. Claro que estão um pouco com o pé atrás (temor de que as concepções não saiam do papel), mas ansiosos para a aplicação nas ideias." 

Mensagem da PJF definirá plano

O Plano Municipal de Juventude (PMJ) não será um projeto de lei. Esta decisão partiu do autor da proposta, o vereador Jucelio Maria (PSB), como forma de driblar o veto constitucional à proposição de leis que onerem os cofres públicos. Nestas condições, algumas das propostas, como a ampliação do Curso Pré-vestibular Comunitário (CPC) e a criação de novos centros culturais, não poderiam ser aprovadas. A saída legal foi enviar o documento pronto para o Conselho Municipal da Juventude e, em seguida, levar para a apreciação do prefeito Bruno Siqueira, que vai submeter o texto final à Câmara Municipal.

"Nossa expectativa é de que este trâmite burocrático seja vencido o mais cedo possível para que algumas mudanças passem a valer a partir do próximo ano. Existe a promessa de colocação de recursos no orçamento de 2014, quando espero que o plano entre em vigor", disse Jucelio. A eleição da nova diretoria do conselho municipal, na última quinta-feira, deu início a esse processo.

Procurado pela reportagem, o prefeito Bruno Siqueira informou que apoia a existência de políticas públicas que trabalhem na articulação de ações específicas para os jovens. "Já como deputado, integrei a Comissão de Juventude da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. É muito importante para Juiz de Fora contar com a efetivação desse conselho, que foi estimulado desde o primeiro dia do nosso Governo." O texto original, que ainda será apreciado pelo Executivo e, por isso, poderá sofrer alterações, não fala de um novo conselho, mas sugere a criação de uma Secretaria Municipal de Juventude.

 

Participação de diversos segmentos

Segundo o vereador Jucelio Maria (PSB), cerca de 30 pessoas participaram de cada uma das reuniões temáticas, ocorridas em maio. A diversidade foi apontada por ele como um diferencial. "A representatividade foi grande. Da Casa da Menina Artesã ao Movimento sem Terra de Goianá. Do conservatório de música clássica ao movimento hip-hop." Ele acrescentou que os jovens, no primeiro encontro, lamentaram o fato de ter pouco espaço para apresentar as demandas. "Ser ouvido foi uma novidade. O jovem tem carência muito grande de oportunidades e de falar dos anseios, das dificuldades. Além de querer ouvir outros jovens, como problemas semelhantes", disse.

O estudante Igor Teixeira, 19 anos, que participou de algumas das reuniões temáticas, achou importante o fato de poder explanar suas ideias e discutir outras. "Todos foram ouvidos igualmente." Questionado sobre a real possibilidade de as diretrizes serem colocadas em prática, o adolescente disse que algumas podem ser, mas não todas elas. "Acho que vai haver algumas resistências, e as mudanças ocorrerão de forma gradativa. Penso que a minha geração perceberá apenas algumas delas." O Plano Municipal da Juventude contempla jovens com idades entre 15 e 29 anos.