Estudante esfaqueada perto de escola tem pulmão perfurado
Uma estudante de 15 anos ficou gravemente ferida e teve o pulmão perfurado após ser atacada pelas costas com quatro golpes de faca desferidos por outra adolescente,17, na manhã de ontem, no Bairro Benfica, Zona Norte. A tentativa de homicídio aconteceu a poucos metros de uma escola na Rua Evaristo da Veiga, mas nenhuma das envolvidas estuda na instituição. Por volta das 7h, a vítima e uma amiga, 16, seguiam para a aula, quando encontraram com a suposta infratora, com a qual já teriam desavenças. De acordo com a Polícia Militar, as três teriam se envolvido em uma briga, e a garota sacou uma faca da mochila, partindo para cima de uma das jovens. A estudante ainda tentou correr, mas foi golpeada até se partir a lâmina da faca, com cerca de 15cm. Em seguida, a infratora teria sido agredida com socos e chutes.
Uma equipe policial, que fazia patrulhamento na região, foi abordada por populares e informada sobre o crime. A suposta infratora foi localizada e teria confessado aos policiais o esfaqueamento. Os militares encontraram a vítima nas imediações com a blusa ensanguentada nas costas. A garota já falava com dificuldade e foi imediatamente levada para a Policlínica de Benfica. Na unidade, foi constatada a gravidade das lesões, e ela foi transferida para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, a adolescente sofreu duas perfurações nas costas e outras duas no ombro e braço direitos. Após a sutura nos ferimentos e a colocação de um dreno no tórax, a jovem ficou em observação até ser transferida, às 15h30, para a Casa de Saúde HTO. O hospital confirmou a internação, mas, até o fechamento desta edição, não forneceu detalhes sobre o estado dela. Já a suspeita da tentativa de homicídio foi medicada na Policlínica, porque teria batido com a cabeça no chão durante as agressões, e foi liberada. Ela e a amiga da vítima foram apreendidas e levadas para a 1ª Delegacia Regional, acompanhadas dos responsáveis. "Todas as três foram qualificadas como infratoras, apesar de uma ter ficado em situação grave, porque foram agressões mútuas", informou o sargento responsável pela ocorrência, Sibério Carlos da Silva.
Conforme a PM, a suposta infratora estaria levando a faca usada no crime desde segunda-feira para a escola e teria se desentendido com a amiga da vítima, que estuda no mesmo colégio, por motivos passionais. A garota esfaqueada frequenta outra instituição de ensino mas, na semana passada, teria agredido a suspeita com um soco para defender a colega. "A tentativa de homicídio aconteceu em frente a uma terceira escola, na qual nenhuma das três envolvidas estuda. Foi motivo fútil e passional, mas já havia premeditado, porque ela já carregava a faca na bolsa há alguns dias", concluiu o assessor de comunicação organizacional do 27º Batalhão da PM, capitão Paulo Alex Moreira.
O caso trouxe mais uma vez à tona a incidência dos conflitos envolvendo adolescentes. No final de março, um estudante morreu após ter sido esfaqueado por um colega em uma escola estadual no Centro. A vítima não resistiu aos quatro golpes de faca no abdômen e no tórax e morreu no HPS. Na ocasião, o suspeito do ato infracional, 16, foi acautelado no Centro Socioeducativo.
O capitão Paulo Alex garantiu que o policiamento preventivo é intensificado nas imediações das escolas, sobretudo nos horários de entrada e saída. "A polícia estava fazendo patrulhamento muito perto do local, tanto que socorremos a vítima. Alertamos as famílias para acompanharem os adolescentes e conversarem com seus filhos, porque é uma situação que foge ao nosso controle e à nossa competência como polícia. Os responsáveis precisam interpretar o comportamento dos jovens e até verificar o que carregam nas mochilas. As escolas também precisam ficar atentas e compartilhar as informações com os pais." Ele lamentou o episódio de ontem. "Será que a vida está tão banalizada para esses adolescentes? Estamos tendo ocorrências graves, que envolvem vida, e a PM está com a luz vermelha acesa na questão. Precisamos do envolvimento de todos os órgãos de segurança pública, mas o freio disso tudo é a família." O caso foi encaminhado para a Vara da Infância e Juventude.
Monitoramento dos casos de violência
De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação (SEE), a adolescente que teria praticado a agressão é aluna de uma escola estadual, enquanto que a jovem golpeada é estudante de um estabelecimento de ensino pertencente à rede municipal. A informação é de que as escolas são próximas e de que a agressão ocorreu do lado de fora do colégio. Ainda segundo a SEE, a Superintendência Regional de Ensino e a direção do estabelecimento onde estuda a jovem que levava a faca estão acompanhando o caso e já estão em contato com os pais da estudante a fim de prestar o atendimento necessário. Em nota, a SEE divulgou que formou uma Comissão para o Enfrentamento da Violência nas Escolas, com representantes da Secretaria de Estado de Defesa Social, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Polícia Civil, Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. "O objetivo do grupo é elaborar um diagnóstico, com propostas de monitoramento e plano de ação para identificar, prevenir e enfrentar os fatores geradores de conflitos violentos nas escolas estaduais de Minas Gerais." O grupo já está em atividade e deve apresentar um relatório em 30 de maio. No momento, ações institucionais estão sendo intensificadas, como o programa "Escola Viva, Comunidade Ativa", mediação de conflitos e outras ações de prevenção juntos às Superintendências Regionais de Ensino.
Subcomandante da 30ª Companhia da PM, tenente Marcelo Alves da Silva, informou que o comando da corporação tem intenção de implantar, em todas as regiões de Juiz de Fora, o Grupamento de Orientação Escolar (GOE), que foi retomado em março na área Central, com patrulhamento na porta das instituições . "Desde sua implantação, não tivemos nenhum problema relacionado à violência nas comunidades escolares. A PM de Minas, há muito, já desenvolve projetos de prevenção, e o GOE se alia a iniciativas que agem neste sentido, como o "Jovens Construindo a Cidadania" (JCC) e o "Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência" (Proerd)", afirmou o militar, acrescentando que a questão da segurança nas escolas será ampliada com o Conselho de Segurança Pública (Consep) Escolar.








