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Bota-fora na Praça Padre Léo


Por Tribuna

09/05/2013 às 07h00

Quase dois meses depois de a Tribuna ter denunciado o descaso do Poder Público com a Praça Padre Léo, na esquina das ruas Barão do Retiro e Professor Francisco Faria, no Bairro Bonfim, Zona Leste, a situação da área piorou. O buraco existente no meio da praça e já serviu como depósito de sofá velho, agora está cheio de restos de outro móvel: aparentemente um guarda-roupa. Gavetas, vigas e lâminas de madeira, além de restos de material queimado, foram deixados no vão existente no local onde deveria ser construída uma quadra de areia. A situação foi flagrada pelo estudante universitário Eduardo Moreira, morador de um prédio que dá fundos para praça, na Rua Américo Lobo, Bairu, também na Zona Leste.

"A cratera no meio (da praça) serve até mesmo de motel. De madrugada, a gente fecha a janela para não olhar", conta uma moradora da Rua Barão do Retiro, que preferiu não ser identificada. A mulher denuncia ainda que os usuários de drogas continuam utilizando a área para queimar cobre, o que tem causado incômodo aos moradores."É uma ‘fumaceira’ que está poluindo demais o ambiente. Tem uma moça asmática, vizinha da praça, que chegou a sair daqui de ambulância". Ela comenta que a limpeza feita no local somente remove o excesso de sujeira, mas o mato continua alto, transformando a praça em esconderijo para usuários de drogas.

 

Sem liberdade

Uma moradora da Rua Américo Lobo, cujo muro da residência faz divisa com o local onde uma pequena cabana foi erguida, supostamente para o consumo de drogas, reclama que não pode permanecer na varanda de sua casa, porque fica frente a frente com os usuários. "Tira até a liberdade de chegar na varanda, porque damos de cara com eles. Tenho um sobrinho de dois anos, mas evitamos sair com ele, para não entrarmos em contato com esse grupo". Ela denuncia ainda o constante mau cheiro do local, por causa do uso de entorpecentes, e o frequente entra e sai de pessoas. A moradora conta que tem medo de denunciar a situação e sofrer represálias. "Sobre efeito de drogas, eles ficam violentos", argumenta.

Segundo a mulher, a Prefeitura, por meio do Demlurb, tem feito limpeza no local. Entretanto, ressalta que não há solução duradoura, já que as pessoas continuam jogando lixo. Ela sugere que a higienização do terreno seja feita com mais frequência e rigor. "Fazem a limpeza só no passeio, onde as pessoas circulam, mas não dentro da praça, onde o mato está alto. É uma limpeza superficial. O matagal está bem de frente para o meu muro".

O diretor de Operações do Demlurb, Paulo Antônio Delgado, diz que a limpeza do terreno é feita regularmente e garante que a população é sempre atendida quando solicita os trabalhos. Na semana passada, inclusive, foi retirado o entulho e feita a roçada, segundo informações do diretor. "Vamos lá, limpamos, mas o pessoal joga lixo de novo", argumenta.

 

Bueiro

Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria de Obras informou que foi colocado no local um bueiro de chapa metálica, que não suportou e rompeu, provocando o afundando existente na praça. O fabricante da estrutura teria se comprometido a enviar um técnico para verificar a causa do problema e solucioná-la. Porém, a data da visita não foi informada.