HORA DE MUDAR
Terminou ontem, sem muito sucesso de audiência, a propaganda gratuita no rádio e na televisão. Seus resultados só podem ser aferidos por pesquisas mais profundas, mas ficou claro, como em anos anteriores, que os canais fechados, nos quais não há obrigatoriedade, aumentaram sua visibilidade. A curiosidade em torno dos candidatos foi suprida pelas redes sociais, e o formato, tanto no rádio quanto na televisão, é ultrapassado, pois permite toda sorte de caretas em detrimento de projetos. Ademais, quando se trata dos candidatos a cargos legislativos, prometem o que não podem fazer. E fica por isso mesmo.
No início da propaganda, o deputado Tiririca utilizou uma sátira de Roberto Carlos para ser visto. Ante a iminência de um processo por uso indevido de imagem, recorreu a um clássico do cinema para se apresentar aos eleitores. O personagem Darth Vader, da saga “Guerra nas estrelas”, é utilizado pelo palhaço, que mantém sua veia humorística para ganhar votos. Mas o que o eleitor ganha com isso, salvo alguns segundos de risadas? De fato, a cena é engraçada, mas o programa gratuito não tem essa finalidade. Se dependesse dos veículos de comunicação, a maioria preferia esta apresentando sua programação, em vez de brincadeiras desse porte.
No ciclo ditatorial, o então ministro Armando Falcão, conhecido por nada a declarar, instituiu a propaganda típica do cinema mudo: os candidatos eram apresentados por slides, enquanto um locutor, na maioria das vezes, com voz soturna, falava de seus currículos. Os políticos tiveram a palavra restituída sob a condição de dar margens a ideias, mas aí há os “tiriricas”, que preferem brincar, e outros que não têm nada para dizer.











