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Usinas de lixo hospitalar recebem críticas em JF


Por Tribuna

09/02/2012 às 07h00

A construção de usinas de lixo hospitalar em Ewbank da Câmara e Simão Pereira foi duramente criticada por especialistas e políticos em audiência pública ontem, na Câmara Municipal de Juiz de Fora. Os participantes questionaram a instalação desses empreendimentos em municípios pequenos, que receberão diariamente toneladas de lixo de alto risco de centenas de cidades. A principal crítica está no processo de incineração dos resíduos, o que, segundo o químico ambiental Jorge Macedo, é um procedimento de alto risco, devido a emissão de dioxinas e furanos após a queima. A queima não é proibida, não é ilegal, mas é preciso muito cuidado, pois um acidente gera passivos ambientais que duram de 200 a 300 anos, e não há condição de vida nesses ambientes, alertou, citando que as substâncias são responsáveis por doenças, como câncer e má formação fetal.

No caso de Ewbank, a empresa ainda não teria solicitado licença para incineração do lixo – apenas para autoclavagem – nem pretende pedir autorização, segundo argumento apresentado na terça-feira por representantes do empreendimento ao vereador Roberto Cupolillo (Betão – PT), que solicitou a audiência pública de ontem. A unidade de tratamento está instalada a cerca de quatro quilômetros da barragem de Chapéu D’uvas. Já a usina em Simão Pereira, construída às margens da BR-040 por outra empresa, chegou a ser liberada para queimar o lixo hospitalar e industrial a altas temperaturas, mas a licença de operação está cassada pela Justiça.

O coro contra a forma como os empreendimentos estão sendo instalados foi endossado por vereadores de Simão Pereira e Ewbank da Câmara, representante da OAB-JF, docentes da UFJF e representantes da Cesama e Demlurb, que pediram maior rigor na liberação das licenças ambientais.