População teme saída da PM do Vitorino

Mesmo antes da saída dos policiais, moradores já notaram ações de vandalismo
A transferência da sede da 135ª Companhia da Polícia Militar, que funcionava na Praça Senador Teotônio Vilela, no Bairro Vitorino Braga, para o prédio da Área Integrada de Segurança Pública (Aisp 107), no Bairro de Lourdes, nesta semana, deixou a comunidade da região apreensiva. O temor é que a saída dos militares do imóvel abra ainda mais espaço para o comércio ilegal e uso de drogas no local, situação já denunciada pela Tribuna. A expectativa é de que a casa, ocupada pela Polícia Militar há cerca de dez anos, seja devolvida oficialmente à Prefeitura na próxima semana. Até lá, somente um policial fica de plantão na unidade.
"Desde que os militares vieram para cá, a situação melhorou muito, mas, mesmo assim, ainda existe o tráfico. Temos medo de que os traficantes e usuários ocupem a casa", contou uma moradora. A costureira Rosa Maria da Silva, 74 anos, diz que a rotina será alterada. "Agora podemos ficar de dia na praça, mas, depois que entregarem o imóvel, ficará impossível até passar por aqui. O posto é da comunidade, e não fomos consultados sobre a retirada da unidade." A auxiliar de serviços gerais Mônica Bernadete, 41, também reclama. "Essa região é violenta, não adianta a Guarda Municipal. Não poderemos mais trazer nossos filhos para cá." O autônomo Amaury da Silva, 41, também relata preocupação. "Já houve época de fazerem fila na praça para comprar drogas.Precisamos, pelo menos, de um posto menor fixo."
A situação ainda é mais crítica porque a entrada para a Creche Municipal José Goretti é feita pela praça. "O tráfico na região é pesado, e o movimento de crianças também", comentou um policial, que preferiu não ser identificado. Até entre os militares há receio de crescimento da criminalidade na região. "A área é complicada, por conta do tráfico, e, para piorar, a praça é bem escondida, cercada por imóveis, o que facilita a ação ilícita", contou outro militar.
Coordenadora pedagógica da creche, Érica Souza de Grazia diz que, mesmo antes da saída definitiva dos policiais da unidade, as ações de vandalismo e atos obscenos já tiveram início. "Ontem (quinta-feira) duas professoras chegaram aqui com medo. Outra deu de cara com um homem pelado, trocando de roupa. Também teve uma briga nesta semana, e apedrejaram a creche."
O comandante da 135ª Cia da PM, capitão Yoshio Yamaguchi, garante que a comunidade não ficará desassistida. "Não haverá mudança. A comunidade sentirá falta é da movimentação de militares na entrada e saída dos turnos na companhia, porque o policiamento continuará sendo lançado para a praça. Faremos ponto-base no local." Já o subsecretário de Dinâmica Administrativa, Rodrigo Homem de Faria, disse que a Prefeitura está realizando avaliações junto às secretarias, para verificar a melhor destinação para o imóvel. "Temos uma preocupação com a área, e, por isso, estamos estudando a ocupação. A expectativa é de que, na próxima semana, tenhamos uma resposta."









