Usuários sem informação sobre os radares na 040
Pelo menos dez equipamentos de radar foram instalados nos 180,4 quilômetros do trecho privatizado da BR-040, entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro. A maioria ainda está coberta por lonas. A Concer, concessionária responsável pela exploração da estrada, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), reguladora e fiscalizadora do serviço, ainda não esclareceram quando e em que circunstâncias os controladores de velocidade vão começar a funcionar. Com isso, os condutores dos cerca de 45 mil veículos que circulam diariamente pela via ficam sem informação.
O advogado juiz-forano Leonardo Mendonça passa pelo menos uma vez por semana na via. Ele afirma que a falta de informações deixa o motorista inseguro. "Apesar de o radar estar coberto, há trechos em que a lona está rasgada, e a lente pode ser vista, deixando dúvidas sobre o funcionamento do equipamento. O fato é que a gente acaba conduzindo o veículo como se o radar estivesse operando, embora não haja indicação na pista sobre a existência dele e nem placas próximas que determinem o limite de velocidade nos trechos onde os aparelhos estão sendo implantados."
O edital nº 0294/93-00, que trata da concorrência para concessão da exploração da BR-040, indicava que havia a previsão de instalação de oito radares desde o início da concessão, em 1º de março de 1996, o que vem sendo alvo de revisões e adiamentos há quase duas décadas.
Enquanto a Concer afirma que a instalação dos equipamentos está em fase experimental e que só quando o processo for concluído informará "aos usuários e à imprensa", a rodovia vem registrando aumento no volume de veículos e, consequentemente, na quantidade de acidentes. O histórico de desastres referente aos períodos de 2009, 2010 e 2011 indica que houve um salto de casos: foram 3.226 casos registrados em 2009, com 45 mortos; 3.718, com 57 mortos no ano seguinte, e 4.183 em 2011, com 62 óbitos. O maior número, nos três períodos avaliados, concentra-se entre os kms 104,4 e 125,2, trecho pertencente ao Rio de Janeiro.
O principal tipo de acidente em 2011 foi o choque contra objeto fixo, geralmente provocado por alta velocidade. Eles foram responsáveis por 1.583 registros em 2011, dos 4.183 desastres ocorridos, e resultaram em 299 feridos e 14 mortos. "A maior causa do choque com objeto fixo é a velocidade incompatível com a indicada para a rodovia. Nesses casos, a pessoa perde o controle do veículo e acaba atingindo a mureta que separa as pistas ou a defensa metálica do acostamento", explica o inspetor da Polícia Rodoviária Federal de Juiz de Fora, Marco Lisboa.
Já os registros de colisão traseira, capotamento, colisão lateral, engavetamento, tombamento e queda de moto respondem por 20 óbitos. Os atropelamentos foram responsáveis por 28 mortes. Levantamento da Polícia Rodoviária Federal no trecho mineiro indica que, nos últimos cinco anos, foram 1.765 acidentes entre os kms 773 e 828,9, sendo 39 deles com vítimas fatais.

Etapa experimental de instalação
Levantamento feito pela Tribuna constata que, dos dez radares identificados na via, dois estão localizados no trecho mineiro da rodovia (ver mapa), com o menor histórico de acidentes de todo o trecho privatizado, seis entre os kms 65 e 97, já no Estado do Rio de Janeiro. No sentido Rio-Juiz de Fora, há outros dois e mais dois em processo de implantação, conforme imagens registradas no início de março. Dos 13.487 acidentes ocorridos entre 2009 e 2011, 1.066 foram registrados entre os kms 773,5 e 828,7. O campeão de casos está justamente na parte fluminense, entre os kms 45,5 a 104,4, com 4.456 casos, seguido pelos kms 104,4 e 125,2, com 4.404 registros.
Até agora, a única informação fornecida pela Concer, por meio de sua assessoria de imprensa, é que a concessionária está "em fase experimental e inicial de instalação de radares em alguns pontos da rodovia. No entanto, trata-se apenas da instalação estrutural (base e poste), não estando nenhum deles em funcionamento. Tão logo esta instalação esteja concluída, informaremos aos usuários e à imprensa. No momento, os usuários devem manter a velocidade regulamentar da via em cada trecho".
Sem resposta
Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que vem sendo procurada pela Tribuna desde fevereiro, não respondeu a nenhum dos e-mails enviados. Na última mensagem, trocada pela Tribuna com um dos assessores, em 12 de abril, o setor de jornalismo do órgão insiste ao pedir um posicionamento da área técnica da agência, mas, até agora, não houve retorno. A informação mais recente sobre a via parte da Polícia Rodoviária Federal de Minas Gerais e do Rio de Janeiro que aponta para 13 mortes no trecho privatizado da rodovia de janeiro ao início de março de 2013 e 532 novos acidentes no lado fluminense.









