Situação de violência leva escola a aumentar vigilância

PM faz policiamento em colégio no Centro
"Não dá para fingir que não aconteceu nada", relata a diretora Maria Aparecida Fernandes, da Escola Municipal Núbia Pereira de Magalhães – o Caic do Santa Cruz. A diretora se refere ao massacre que ocorreu, na última semana, na escola em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no qual 12 crianças foram assassinadas. Na instituição local, um grupo de educadores passa por treinamento para aprender a lidar com casos de violência.
Situações como a tragédia no Rio trazem à tona a ampliação das discussões sobre a agressividade que atinge todos os níveis sociais, inclusive o ambiente escolar. Confusões entre alunos, desrespeito entre professores e estudantes, armas e facas dentro de sala de aula, brigas na porta das instituições. Para tentar amenizar esses problemas, diversos órgãos da sociedade têm se unido e atuado em parceria nas ações dentro e fora dos colégios, buscando aumentar a vigília.
A reativação do Grupamento de Orientação Escolar (GOE) da Polícia Militar em Juiz de Fora, ocorrido no mês passado, faz parte das inovações, contando com uma equipe de seis militares e uma viatura. "O GOE voltou a atuar devido a uma demanda das diretoras das escolas da área Central que apresentavam casos de violência", explicou o subcomandante da 30ª Companhia da PM, tenente Marcelo Alves. Os militares atuam com patrulhamento nos intervalos de aulas, além dos horários de entrada e saída dos estudantes, visando à aproximação junto à comunidade escolar. "Queremos ganhar a confiança dos alunos e dos professores para trabalharmos de forma conjunta para a solução de problemas que possam surgir no âmbito escolar", ressaltou tenente Marcelo. O GOE se alia a outros projetos da PM que agem neste sentido, como o Jovens Construindo a Cidadania (JCC) e o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).
Uma das unidades que recebe a parceria do GOE é a Escola Estadual Delfim Moreira, conhecida como Grupo Central. A vice-diretora Denise Toledo conta que muitos estudantes de outros locais estavam indo para a porta da instituição. "Lá fora, fica difícil a gente controlar o que acontece. Precisávamos muito desse policiamento, e agora estamos aliviados." Com a presença do GOE, segundo ela, os discentes já saem da escola e seguem direto para casa, e os conflitos diminuíram. "A violência aumentou muito e está cada dia mais próxima de nós. Está na hora de agirmos porque a realidade é preocupante."
Projetos na Câmara
O Legislativo Municipal também tem trabalhado em projetos que visam ao combate da violência escolar. Uma lei, de autoria do vereador José Soter de Figueirôa (PMDB), aprovada nesse ano, propõe o desenvolvimento da política "antibullying" nas escolas municipais, uma forma de fazer frente à prática da agressão física ou psicológica, provocada contra uma ou mais pessoas. Outros dois projetos de lei tramitam na Câmara. Um deles, também de autoria de Figueirôa, pretende instituir o sistema de informações sobre violência nas instituições do município, com o objetivo de mapear e monitorar condutas ou atos hostis no ambiente escolar, além de, entre outros, intensificar as ações sociais nos locais de incidência de casos desta natureza. Outro projeto, proposto pelo vereador Wanderson Castelar (PT), solicita a criação de uma área de proteção e segurança escolar em torno de todas as unidades de ensino básico, com o intuito de assegurar a tranquilidade ao ambiente, favorecendo, assim, o processo de ensino-aprendizagem. "Esse é um momento importante para fazer com que o projeto vire realidade e que a lei seja cumprida", enfatizou Castelar.
Em Juiz de Fora, há quase um mês, uma briga entre dois estudantes, da mesma série do ensino médio de uma escola estadual, culminou na morte de um deles. A vítima, de 16 anos, foi esfaqueada na instituição. A Secretaria de Estado de Educação (SEE) acompanhou o caso. Através da assessoria de comunicação, a informação obtida é que, neste mês, houve o primeiro encontro da Comissão para o Enfrentamento da Violência nas Escolas. O grupo formado envolve a SEE, representantes das Secretarias de Estado de Defesa Social, de Desenvolvimento Social, polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros. A ação visa à cultura da paz e da tolerância. "As escolas têm que ser um campo fértil para que possamos exercitar as melhores medidas de prevenção", explicou a secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola. Depois das discussões, o grupo irá adotar um cronograma de ações a serem adotadas em todas as escolas do Estado.
Código de condutas vai orientar profissionais
A Secretaria de Educação de Juiz de Fora vem agindo com campanhas de prevenção à violência junto às unidades da rede. Um código de condutas está sendo elaborado por uma comissão formada por diretores escolares e técnicos da secretaria, com base nos problemas que vêm sendo enfrentados pelas instituições. O código irá orientar os profissionais, por exemplo, sobre como agir ao serem diagnosticados casos de violência no ambiente escolar.
Em outra frente, desde 2009, a secretaria mantém o acompanhamento de alunos, familiares e educadores, por meio do Departamento de Apoio ao Estudante em casos diversos, inclusive ao relativos à violência. Entre as ações, está o trabalho realizado em parceria com a ONG ProJuventude junto aos profissionais das escolas. O treinamento, aplicado por psicólogos, atua com técnicas de prevenção e intervenção nos conflitos. A ideia é criar novas habilidades entre os docentes para que possam lidar com as situações de violência em sala. "A referência do educador é muito forte. Ele passa a lidar com os alunos de forma a trabalhar essa violência de modo positivo", informou a coordenadora-executiva da ONG, Cláudia Stumpf.
Hoje o trabalho da ONG está sendo realizado na Escola Municipal Núbia Pereira de Magalhães, no Bairro Santa Cruz, com cerca de 60 profissionais. "A escola não tem como agir sozinha. Precisamos aproveitar todas as oportunidades para aprendermos a lidar com esses conflitos", disse a diretora Maria Aparecida Fernandes. E ressaltou que é preciso aproveitar esses momentos de choque para refletir sobre a violência. "Neste clima de insegurança, a gente precisa se unir."









