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Traffic calming traz dúvidas na Marechal


Por Pablo Cordeiro

30/08/2012 às 20h36

Pedestres precisam ter cuidado por causa da conversão dos carros

Pedestres precisam ter cuidado por causa da conversão dos carros

Um traffic calming instalado na esquina das ruas Santo Antônio com Marechal Deodoro, no Centro, tem trazido dúvidas para pedestres e provocado reclamações de motoristas. No caso dos pedestres, o problema é que os carros estariam fazendo a conversão muito rente à calçada, que está no mesmo nível do elevado. O dispositivo foi instalado para aumentar a segurança no trecho. No entanto, a eficácia estaria sendo questionada porque os pedestres estariam parando à frente da largura do passeio, o que aumentaria o risco de serem atingidos pelos automóveis.

"Este traffic calming acaba confundindo o pedestre, que acha que está no passeio, mas está na rua", explica o advogado Orlandsmidt Riani, 59 anos, apontando para proximidade da esquina que a ondulação foi instalada. Segundo ele, o redutor deveria ter sido colocado mais adiante na Marechal, inclusive para que o carro possa parar antes da travessia, e não em cima, como acontece recorrentemente. Para o empresário Flávio Geraldo de Paula, 65, a segurança do pedestre fica prejudicada, já que a confusão também chega ao motorista. "Uma vez o carro foi para cima, e a pessoa não estava prestando atenção. Achava que estava no passeio."

A Settra garante não ter recebido reclamações sobre o ponto e afirma que sinalização do traffic calming também está correta.

O presidente do conselho fiscal da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), Mario Jacometti, explica que a travessia de pedestres foi colocada justamente por causa do excesso de pessoas na via, além das altas velocidades de veículos praticadas anteriormente no trecho. "O dispositivo tem essas duas funções. Na Olegário Maciel, tem um que possui o mesmo caráter." Para o vendedor Rui Ribeiro, 64, o dispositivo tem cumprido bem sua função. "O redutor tem funcionado, já que os carros sempre entram com baixa velocidade. Às vezes, as pessoas chegam a avançar, mas, como o carro já está devagar, acaba parando." O especialista explica que a legislação sobre quebra-molas não é a mesma para traffic calmings. De acordo com a resolução 39 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), existem impedimentos para instalação da ondulação próximo às esquinas. A lei sobre o traffic calming está a cargo dos próprios municípios.

Mecânica

Motoristas também reclamam que a altura do traffic calming seria prejudicial para a suspensão dos veículos. Sobre esse ponto, Jacometti explica que "ele é mais alto para não criar um desnível para o idoso e para o cadeirante". Em relação à proximidade dos carros com o passeio, o especialista em trânsito destaca a necessidade de fiscalização. "O motorista tem que diminuir a marcha e não pode fazer a conversão de forma irregular." Para o técnico em mecânica Alexandre Mazzei, pelo menos três carros são deixados por semana em sua oficina com problemas na suspensão. "Tem um Corolla que vai precisar trocar o protetor do motor porque socou na saída de um traffic calming." Ele explica que, com maiores velocidades, a tendência de ocorrer problemas estruturais no veículo é maior. "Quando o carro mergulha, a tendência é afundar mais."

 

Mito

O mecânico, que está há 30 anos no ramo, desmistifica um pensamento acerca do traffic calming. "O fato de o carro entrar de lado, como ocorre nesse caso da Santo Antônio, não prejudica em nada a suspensão. Se fosse ruim, a troca do pneu também iria prejudicar, já que o carro é levantado por apenas um ponto."