Super-radares chegam em setembro

Idosa de 71 anos morreu após ser atropelada ontem
Foi assinado, nesta terça-feira (27), pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e pelo secretário de Transportes e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, o contrato que autoriza a instalação dos super-radares nos principais cruzamentos da cidade. Segundo a Settra, os equipamentos deverão ser implantados a partir de semana que vem, e a previsão é de que os trabalhos sejam concluídos até o final de setembro. A notícia sobre o maior controle no tráfego urbano é divulgada na semana em que vários casos graves de violência no trânsito são registrados em Juiz de Fora.
Nesta terça, uma idosa de 71 anos morreu depois de ter sido atropelada no cruzamento da Avenida Brasil com a Rua Costa Carvalho, no bairro homônimo, Zona Sudeste. Esta foi a oitava morte por atropelamento na cidade desde o início do ano. De acordo com a Polícia Militar, Maria José de Almeida Clemente tentava atravessar no local, pouco depois das 8h, quando foi atingida por um Santana, com placa do Rio de Janeiro. O acidente mobilizou ambulâncias do Resgate e Samu. A vítima caiu no chão inconsciente e sofreu politraumatismo e traumatismo cranioencefálico grave. Ela chegou a ser socorrida e levada para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Esse foi o segundo caso de atropelamento fatal e o terceiro de morte no trânsito em 48 horas. Na manhã de domingo, um idoso, 71, morreu após ser atingido por uma motocicleta, na Avenida Rio Branco, Centro. Já na madrugada de segunda-feira, um motociclista, 29, perdeu a vida em acidente na Avenida Brasil. Ele teria sido projetado para fora do viaduto de acesso ao Bairro de Lourdes após bater em um obstáculo.
Também nesta semana, um adolescente de 12 anos foi vítima de atropelamento no Centro. De acordo com o registro policial, ele foi atingido por um Fiat Punto quando atravessava na esquina das ruas Santo Antônio e Fernando Lobo. O condutor, 19, relatou aos policiais que o adolescente não usava a faixa de pedestres, e que não foi possível frear o carro. Em frente a este ponto, está em funcionamento a Escola Estadual Delfim Moreira (Grupo Central). Não há confirmação se o garoto atropelado era estudante do colégio. A mudança foi necessária devido às falhas estruturais do Palacete Santa Mafalda, onde mais de dois mil alunos estudaram até o fim do primeiro semestre letivo deste ano. Com a medida, o trânsito no entorno, já considerado perigoso, está exigindo mais atenção dado ao grande fluxo de estudantes. Segundo o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, não existem agentes de trânsito suficientes para atender a demanda na cidade, mas será viabilizada a colocação de um profissional no local. "A demanda por fiscalização aumenta de forma desproporcional ao número de agentes disponíveis." Além disso, ele comenta que serão realizadas palestras com os alunos da escola sobre cuidados no trânsito.
Na visão do engenheiro especialista em mobilidade urbana José Ricardo Daibert, determinadas ações de aplicação da lei aliadas à educação no trânsito são a forma de modificar os hábitos culturais desrespeitosos, ainda muito arraigados em Juiz de Fora. "Em algumas cidades brasileiras, vemos que iniciativas como a aplicação efetiva da Lei Seca e o respeito à faixa de pedestres já foram incorporadas culturalmente. Tais mudanças só ocorrem quando lembradas de forma sistemática."
Ações pretendem coibir abusos
Até o final do mês que vem, avenidas mais movimentadas da cidade, como Rio Branco, Itamar Franco, Getúlio Vargas, Brasil e Francisco Bernardino, serão monitoradas pelos radares. Os referidos aparelhos estão sendo chamados de super-radares, porque, além de coibirem o excesso de velocidade, vão monitorar 24 horas o avanço de semáforos e a parada dos veículos sobre a faixa de pedestres, principais infrações registradas na cidade. No total, serão 20 pontos aptos a receberem dez aparelhos que funcionarão em esquema de rodízio. Além disso, de imediato, o secretário explica que serão reforçadas as sinalizações verticais e horizontais e será dada continuidade ao trabalho de conscientização das pessoas no trânsito. Outra ação programada pela Prefeitura é a realização da Semana Nacional de Trânsito, que acontece na cidade entre os dias 18 e 25 de setembro.
Contudo, para o titular da pasta, o grande problema do trânsito continua sendo o desrespeito às leis e sinalizações e o excesso de velocidade. Ele lembra ainda que a pasta não possui radares móveis de controle de velocidade, o que impossibilita a realização de blitze surpresas. "Lamentamos as fatalidades que têm ocorrido, mas é certo que nossa capacidade de fiscalização não é tão grande como gostaríamos."
Oito mortos por atropelamento este ano em JF
De acordo com a PM, em 2012, foram três vítimas fatais por atropelamento e duas em 2013 em Juiz de Fora. Contudo, levantamento da Tribuna que leva em consideração a evolução do estado de saúde da vítima após o registro policial, demonstra que, com a morte da idosa nesta terça, oito pessoas já perderam a vida após serem atropeladas até agosto. Metade delas eram idosos. Segundo informações da polícia, jovens com idade entre 16 e 25 anos e idosos com mais de 61 anos são as maiores vítimas deste tipo de ocorrência. Os números apontam que, no primeiro semestre deste ano, 306 pessoas foram atropeladas na cidade. Deste total, 20% foram jovens e 13% foram idosos.
"Acreditamos que estas situações acontecem por falta de respeito à sinalização, ao ser humano e as dispersões da vida corrida. Juiz de Fora é uma cidade bem sinalizada, mas com alto grau de imprudência no trânsito", diz o comandante do Pelotão de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar (PPTran), tenente José Lourenço Júnior. Ainda segundo ele, os locais de maior incidência de atropelamentos na cidade são as grandes vias, como as avenidas Rio Branco, Brasil, Independência, Getúlio Vargas e Francisco Bernardino. Somente neste ano, foram 45 acidentes na Rio Branco. Em 2012, foram 65 no mesmo período.
O engenheiro José Ricardo Daibert acredita que, apesar da intenção de proteger o lado mais fraco no trânsito, como é o caso dos pedestres, muitas vezes, eles mesmos são os próprios responsáveis por muitos incidentes. "Vemos flagrantes constantes de desrespeito às normas de trânsito em grandes vias da cidade."








