Daniela Arbex vencedora do prêmio Esso de Jornalismo


Por Tribuna

12/11/2012 às 11h27

Repórter em Bogotá, na Colômbia

Repórter em Bogotá, na Colômbia

Atualizada às 16h17

A repórter especial da Tribuna Daniela Arbex venceu a 57ª edição do Prêmio Esso de Jornalismo, na categoria Regional Centro-Oeste, com a série de matérias "Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição", publicada em novembro de 2011. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (12). O trabalho da jornalista estava entre os 70 finalistas, dos quais 35 de texto, 15 de criação gráfica, 10 de fotografia e 10 de telejornalismo, selecionados entre 1.302 inscritos. Este é o terceiro Prêmio Esso conquistado pela jornalista. Confira lista completa dos vencedores.
 Em outubro, em Bogotá, na Colômbia, a mesma reportagem recebeu menção honrosa do júri oficial do Instituto Prensa y Sociedad (Ipys) e pela Transparência Internacional (TI). A série também conquistou o primeiro lugar na votação popular realizada durante a Conferência Latino-americana de Jornalismo Investigativo.

Para o diretor-presidente da Tribuna, Juracy Neves, a vitória de Daniela engrandece toda a equipe. "A Daniela é a expressão completa do jornalista. Tê-la em minha equipe significa, além do sucesso pessoal que a faz única, a projeção do nome da Tribuna pelo mundo afora. Dedicada e engajada no jornalismo investigativo, sua vitória é a nossa vitória. Isso muito nos honra."
Para a jornalista, o prêmio representa o reconhecimento de um trabalho dedicado a contribuir para construção de uma sociedade mais justa. A reportagem concorreu com publicações de peso e de veículos de renome nacional, como o "Correio Braziliense" e o "Estado de Minas". Este último tornou público os bastidores da tortura sofrida pela presidente Dilma Rousseff em Juiz de Fora durante o período ditatorial.
"Este é um momento muito especial. Estas reportagens relatam fatos ocorridos no Brasil, uma história que deve ser contada e recontada para todos. Ser agraciada com este prêmio é um estímulo para mim, que sou apaixonada pelo jornalismo. Sinto que estou no caminho certo e tenho a responsabilidade de melhorar a cada dia, tanto como ser humano quanto como profissional".

A série
A série "Holocausto brasileiro" é composta de sete reportagens que revelaram a rotina dos pacientes do Hospital Colônia, em Barbacena, onde mais de 60 mil pessoas perderam a vida. Durante 30 dias de investigação, a jornalista refez os passos de uma história de extermínio, tendo como ponto de partida as imagens do fotógrafo Luiz Alfredo publicadas na revista "O Cruzeiro" em 1961. Durante a apuração, Daniela descobriu que 1.853 corpos de pacientes mortos foram vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980. Também revelou que mais de 70% dos internados não sofriam de doença mental, mas sucumbiram de fome, frio, diarreia, pneumonia, maus-tratos, abandono e tortura.

Trajetória
Daniela Arbex se formou em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 1995. No currículo, estão reportagens investigativas, como a "Cova 312", publicada em 2002. A matéria sobre o local onde estava enterrado o guerrilheiro Milton Soares de Castro, dado como desaparecido durante a ditadura militar, ganhou o Prêmio Esso, além de menções honrosas nos prêmios Vladimir Herzog e Lorenzo Natali.
Em 2010, mais uma série de reportagens para a Tribuna tiveram destaque, desta vez sobre os problemas brasileiros na área de saúde pública, recebeu o Knight International Journalism Award. 

Comoção

 As matérias provocaram verdadeira comoção entre os leitores, levando muitos deles a reservar o jornal nas bancas. Entre os internautas, a série também teve grande repercussão e foi compartilhada centenas de vezes nas redes sociais. Ontem a notícia da premiação mobilizou dezenas de pessoas no Facebook. A professora de jornalismo na UFJF, Teresa Neves, disse estar orgulhosa do jornal. "Parabéns! Prêmio mais do que merecido por seu empenho e, sobretudo, por sua competência. Orgulho de nós todos que acompanhamos, desde o início, sua trajetória brilhante." Ivan Chebli, ex-coordenador de Planejamento da Secretaria de Saúde, também comentou a conquista. "Cada vez fico mais convencido que temos uma das maiores jornalistas do Brasil em nossa cidade. Seus amigos e a população se orgulham de você. Continue assim, defendendo e dando voz aos oprimidos." O fotógrafo da extinta revista "O Cruzeiro", Luiz Alfredo, de quem Daniela ficou amiga, escreveu: "Eu sabia. Parabéns! Só os não loucos poderiam duvidar."
  Com 17 anos de carreira na Tribuna, a jornalista soma 19 prêmios nacionais e internacionais, sempre com matérias de denúncia e de interesse público.

Confira a série completa:

Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição

Comércio da morte só parou na década de 80

33 crianças viveram horrores da Colônia

Tratamento desumano inicia reforma psiquiátrica no país

Entrevista/Helvécio Ratton, cineasta: ‘Ali tinha crime de lesa humanidade

Lei sobre saúde mental ainda divide opiniões

A história por trás da história

Confira a série completa disponível para download