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Oito meses de interdição no Bairro Grajaú


Por Tribuna

13/09/2011 às 01h10

Encosta continua cedendo, e imóveis estão sob risco; outras casas podem ser interditadas

Encosta continua cedendo, e imóveis estão sob risco; outras casas podem ser interditadas

Moradores de quatro casas e o proprietário de um estacionamento no Bairro Grajaú, Zona Sudeste, já vivem oito meses de apreensão, sem saber quando poderão retornar aos seus imóveis, interditados pela Defesa Civil no início deste ano. Quatro das construções ficam na Rua Rosa Sfeir e uma na Rua Miguel Jacob. Todas precisaram ser desocupadas depois que o barranco que separa as duas vias começou a ceder, durante o período chuvoso. Na ocasião, a Secretaria de Obras do município afirmou que as intervenções para resolver o problema teriam início em maio e seguiriam durante os meses de estiagem. No entanto, até o momento, nenhum trabalho foi realizado. Ontem o secretário de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior, esteve no local, acompanhado de engenheiros da Defesa Civil e da UFJF, além de representantes da Cesama. O grupo foi verificar a situação da área, já que novos desabamentos podem ocorrer com o fim da estiagem.

Conforme o secretário, a situação da Rua Rosa Sfeir é complexa e requer um estudo técnico, que será realizado pela UFJF, com prazo para conclusão não definido. Questionado sobre a demora na mobilização para resolver o problema, ele afirmou que, nos últimos meses, houve um trabalho de observação, mas as causas dos deslizamentos não foram descobertas. "Vamos retirar parte da vegetação para evitar peso na encosta, e depois cobrir toda a área afetada com lona."

A assistente administrativa Maria Auxiliadora Ferreira, 55 anos, é uma das moradoras que teve a casa interditada. Os cômodos dos fundos, próximos ao barranco, já estão trincados e tomados pela terra. A residência, que era financiada, teve a condenação confirmada pela seguradora, que foi obrigada a quitar as prestações restantes.

Outros moradores contam que, além da água da chuva, desce esgoto pelos terrenos interditados. Este problema teria início nas casas da Rua Miguel Jacob, que fica acima. O diretor técnico operacional da Cesama, Joaquim Tarcísio Guedes Torres, disse que uma intervenção terá início na próxima segunda-feira para desviar os canos da rede para outros terrenos. A previsão é que esta obra termine em uma semana.

Já o secretário de Obras informa que todas as intervenções devem ter autorização dos proprietários do imóveis, pois o terreno afetado seria particular. Ele também afirma que haverá monitoramento constante durante o período de chuvas, inclusive com a possibilidade de interdição de outras moradias.