Polícia Civil refaz trajeto de vítima de estupro
A Polícia Civil já identificou e intimou para ouvir em cartório as pessoas suspeitas de terem feito ameaças ao cabeleireiro, 19 anos, agredido a pauladas e violentado sexualmente por três homens no dia 17. De acordo com a titular da 7ª Delegacia e responsável pelo caso, Mariana Veiga, na segunda-feira, investigadores fizeram com a vítima o trajeto desde o local da abordagem, na Avenida Rio Branco, no Centro, até o ponto em que ocorreu o estupro, uma obra perto de um matagal no Bairro Santa Maria, Zona Norte da cidade. Os objetivos, segundo Mariana, foram identificar possíveis testemunhas e verificar a presença de câmeras de vigilância nesse percurso, que possam ter gravado alguma imagem dos agressores. Os criminosos agiram sem máscaras ou capacetes, mas ainda não foram identificados. A suspeita é de que o crime tenha tido motivação homofóbica.
As pessoas que estavam ameaçando a vítima antes da agressão foram identificadas e intimadas para prestar declarações esta semana, disse a delegada, sem revelar o número de convocados e as datas das oitivas. A polícia ainda aguarda o laudo do exame de corpo de delito do cabeleireiro. Ontem (segunda) ouvimos o companheiro dele, que também sabia das ameaças. Durante as diligências nos locais de crime, os investigadores encontraram dificuldade em conseguir informações. As pessoas vizinhas à obra, no Santa Maria, disseram que não viram e nem ouviram nada suspeito. Mas sabemos que uma pessoa teria passado pelo local na hora do crime e gritado devido ao barulho. Que ela se identifique, solicitou Mariana Veiga.
Conforme a delegada, a colaboração da comunidade é fundamental para auxiliar a localização dos criminosos. Precisamos contar com o apoio da população. Garantimos o sigilo da identidade. Quem não quiser vir à delegacia, pode fazer denúncia anônima pelo número 181 (Disque-Denúncia Unificado), com a certeza de que não será identificado. Conforme Mariana Veiga, a equipe mobilizada na investigação também tenta descobrir qual veículo foi utilizado pelo bando para levar o jovem do Centro para a Zona Norte. A vítima teve dificuldade em passar as características do carro.
O suposto crime homofóbico chocou a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e o Movimento Gay de Minas (MGM), que ofereceram apoio jurídico ao cabeleireiro e solicitaram rigidez na investigação do caso. O jovem teria ficado cerca de quatro horas em poder do bando e sido violentado por mais de uma hora e meia. Ele teria sido obrigado a entrar em um carro, após ajudar uma mulher loira a levar compras até o veículo, perto de uma padaria. Depois de ser agredido com pauladas na cabeça e nos braços, o jovem teria sido estuprado por dois homens, e um terceiro teria ejaculado em sua boca. A mulher usada como isca teria observado e fotografado a ação violenta. Durante a ação, o grupo teria feito xingamentos homofóbicos.








