Varredura nas carvoarias de Minas Gerais
O flagrante de trabalho degradante em carvoaria localizada na região de Juiz de Fora, publicado pela Tribuna no domingo, provocou uma mobilização nos órgãos federais. A procuradora do Ministério Público do Trabalho em Belo Horizonte, Adriana Augusta de Moura Souza, afirmou ontem que a denúncia do jornal permitirá que seja desencadeada uma varredura no sistema de produção do carvão vegetal em Minas. O objetivo é realizar gestões e fiscalizações nesta carvoaria e em todo o estado, a fim de impedir que o setor industrial continue consumindo carvão obtido por métodos rudimentares. Em Juiz de Fora, o procurador Wagner Gomes do Amaral instaurou procedimento investigatório para levantar novos elementos sobre o caso revelado pelo jornal. O Ministério do Trabalho também se pronunciou e informou que, a partir da denúncia da Tribuna, tomará medidas cabíveis para erradicação deste método de carbonização da lenha, cujo sistema é considerado "medieval" por auditores do trabalho.

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A reportagem revelou a existência de 65 fornos operados manualmente por carvoeiros na Fazenda Bom Retiro, localizada em Rosário de Minas, Zona Rural de Juiz de Fora. O jornal mostrou a rotina de trabalhadores expostos ao calor intenso dos fornos, jornada excessiva e sobrecarga de peso. As imagens e a reportagem, disponíveis no site da Tribuna, foram consideradas documentação importante na investigação que deverá ocorrer também em outras cidades mineiras. "Não havia denúncias pontuais de problemas nessa área de Juiz de Fora. A matéria nos alertou e contribuirá para o início de uma varredura nas carvoarias do estado, já que foram recebidas queixas anteriores relativas à outras regiões. Quanto à denúncia específica da reportagem, foi instaurado um procedimento investigarório para a coleta de maiores elementos de prova pela Procuradoria do Trabalho de Juiz de Fora", informou a procuradora Adriana.
Em Juiz de Fora, a gerente regional do Ministério do Trabalho, Nila Magalhães, disse que, apesar de todo o esforço da equipe de fiscalização no combate a esse tipo de realidade, a área denunciada pela Tribuna ainda não havia sido identificada. "A denúncia da imprensa é fundamental para as nossas ações. A fiscalização tem atuado de maneira efetiva no combate ao trabalho degradante. As cenas que o jornal publicou não deveriam ser esperadas, mas, infelizmente, ainda acontecem. Já estamos tomando medidas em relação a isso", informou. A chefe do setor de fiscalização da Gerência Regional do Trabalho em Juiz de Fora, Maria Vitória Sá, também foi contundente: "não há como permitir que um ser humano trabalhe dessa forma, de maneira degradante", ratificou. .
Carvão limpo
A área da Fazenda Bom Retiro, onde a queima do carvão é feita pela empresa Alvino & Araci Prestcarvão Ltda, pertence a Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio (CBCC), uma das maiores produtoras de silício metálico do país, cuja controladora é a Dow Corning Corporation, maior produtora mundial de silicone. Segundo informou a gerência de relações públicas da Dow Corning, nos Estados Unidos, em e-mail encaminhado para a Tribuna, na última sexta-feira, a utilização da propriedade foi permitida, com a finalidade de simplificar o processo logístico de operação, reforçando que a responsável pela carvoaria trabalha de acordo com legislação trabalhista e ambiental. A Dow Corning destacou, ainda, que vem investindo na busca de novas alternativas para uma produção mais sustentável de carvão e que contrato recente de compra do material com uma empresa regional com capacidade de produzir "carvão limpo" vai aumentar o consumo da CBCC deste tipo de carvão. A controladora também salientou que as operações da CBCC utilizam madeira de florestas plantadas, "respeitando a floresta nativa da região como o previsto na legislação ambiental", destacou.








