Espírito natalino sobrevive na solidariedade

Crianças recebem presentes no Curumim Sta. Rita
Campanhas de arrecadação de presentes para crianças mobilizam cada vez mais pessoas, revelando como o Natal é capaz de despertar a solidariedade. Exemplo disso é o já tradicional Papai Noel dos Correios, que existe há mais de 20 anos e, nesta edição, recebeu cerca de oito mil cartas de alunos de escolas públicas da cidade. Embora a empresa ainda não tenha fechado o número de pedidos atendidos, a expectativa é de que, no mínimo, seja repetida a cobertura do ano passado, em que 98% dos desejos foram apadrinhados. Trabalho semelhante, realizado pela Amac, em parceria com o Banco do Brasil, também vai garantir um Natal diferente para as crianças de abrigos e projetos sociais da entidade. Neste caso, a expectativa é atender a 100% das 1.800 cartas enviadas ao Bom Velhinho.
Dos pedidos encaminhados à Amac, cerca de 1.300 partem dos Curumins, coordenados por Lúcia Cristina Oliveira. Segundo ela, até o início da semana, 90% das solicitações já haviam sido atendidas. Para assistir aos que ficarem de fora, funcionários da entidade e do Banco do Brasil farão um mutirão. "Este foi o ano com maior adesão. Teve gente que levou um cartão e depois nos procurou para pegar mais. Em alguns casos, uma só pessoa assumiu cerca de 50 pedidos."
De acordo com ela, a mobilização aumenta à medida em que as pessoas descobrem como é prazeroso ajudar quem precisa. "Quando as crianças e adolescentes abrem os embrulhos, os olhos deles até brilham." Como pontua Lúcia, muitas vezes, os pedidos são coisas simples para quem apadrinha, como um kit escolar ou um chinelo, mas, para os assistidos, é um verdadeiro sonho. "Eles ficam felizes em saber que há alguém que se preocupa e tem carinho por eles."
Sucesso a cada edição
No caso do Papai Noel dos Correios, a campanha começou a partir de uma mobilização interna de funcionários, que levou à institucionalização do programa. De acordo com uma das coordenadoras do projeto, Sueli Navarro, o sucesso se repete a cada edição, porque quem colabora uma vez participa sempre. "Muita gente vem até a Agência Central e se dedica a ler as cartas com toda a calma. Em tempos de correria, isso mostra como o espírito natalino toca as pessoas." Além da participação de todos que apadrinham, a mobilização reúne voluntários que atuam nos bastidores, organizando as cartas. "Tem um rapaz que mora nos Estados Unidos e sempre passa as férias de final de ano no Brasil. Esse ano, pela segunda vez, ele se cadastrou para nos ajudar", conta Sueli.
Há cerca de seis anos, o radialista Willian Boy começou a mobilizar amigos para atender aos pedidos mais difíceis enviados aos Correios. Na época, eles realizaram as solicitações de cerca de 30 crianças. Este ano, a abrangência chegou a quase 500. "Arrecadamos cerca de R$ 10 mil em doações", conta. Devido ao volume, muitos presentes já foram levados até os pequenos. Entretanto, no dia de Natal, o grupo vai atender a três casos especiais, acompanhados de integrantes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e, claro, do Papai Noel. Eles vão até a casa de uma menina portadora de hidrocefalia, que pediu apenas a presença do Bom Velhinho em sua casa. Outros dois meninos que pediram um carrinho de bombeiros, já que sonham seguir a profissão, também serão visitados pelo grupo. Além disso, eles vão até a casa de um garoto que pediu uma consulta com uma fonoaudióloga para a bisavó, que sofreu um AVC. "Esse foi, sem dúvida, o pedido mais marcante que tivemos."
Histórias como estas mostram que, independente da religião, e apesar da correria da vida moderna, o espírito natalino sobrevive na solidariedade e no amor ao próximo.









