Iluminação precária aumenta insegurança nas praças

Mesmo com maioria dos postes acesa, praça de São Mateus é considerada mal iluminada
A falta de iluminação é um dos fatores que contribui para o aumento de insegurança em praças da área central de Juiz de Fora. A Tribuna percorreu alguns destes espaços, onde encontrou vários trechos às escuras. O caso mais grave foi registrado na Praça do Riachuelo, onde 14 dos 32 postes de iluminação estavam queimados, o que representa mais de 43% do total. Além disso, das seis luminárias do monumento em homenagem aos soldados da Força Expedicionária Brasileira, apenas duas estão em funcionamento. A escuridão aumenta o receio de quem circula pela região, principalmente porque a área tem sido palco de enfretamentos entre gangues e comércio de drogas, como vem sendo mostrado pela Tribuna. "A noite é mais perigoso, tem muita briga de gangue. A iluminação da praça poderia ser melhor. Tem o posto policial, mas não vejo ninguém fazer a ronda. Acho a praça muito suja também. No final da noite, ela fica deserta", afirma a vendedora Bárbara Val, 23.
Na última segunda-feira, um idoso de 64 anos foi vítima de uma bala perdida no entorno da Praça do Riachuelo. Segundo a Polícia Militar, o disparo foi feito por um integrante de uma gangue que estava na esquina das ruas São Sebastião e Jarbas de Lery. "A praça está bem violenta. Vejo jovens com pedaço de pau correndo atrás de outros, além de pessoas vendendo e escondendo drogas. Quando veem a polícia, eles saem correndo. Há um mês o posto policial voltou a funcionar na praça, mesmo assim a violência continua, apesar de ter melhorado. Tenho receio de trabalhar aqui, eles trocam drogas uns com os outros na nossa frente, não respeitam ninguém. Isso acontece mais no final da tarde e à noite. Acho que a praça precisa de mais iluminação. De noite, a polícia faz rondas e revistas, isso ajuda. Mas eles são terríveis e voltam quando a polícia vai embora", conta uma comerciante que prefere ter sua identidade preservada. A assessoria de comunicação da Secretaria de Obras informa que há um projeto de revitalização do Riachuelo, o que inclui a iluminação da área.
Trechos escuros
No Parque Halfeld, a Tribuna encontrou cinco postes queimados na última semana. Apesar de a maior parte das lâmpadas estar funcionando, há alguns trechos escuros. É o caso da área em frente ao Fórum Benjamin Colucci, onde o poste estava apagado. O espaço já foi cenário de brigas de gangue e usuários de drogas. "A praça é bonita, mas é mal frequentada à noite. Não é seguro ficar aqui", diz a estudante Julia Costa, 21 anos. Outro estudante de 16 anos afirma: "A maioria que frequenta não vem para apreciar e sim para outros fins improdutivos. Não é uma praça segura. Frequento esporadicamente. Se tivesse um policiamento mais efetivo, seria uma medida interessante. Com mais policiais, aumentaria a sensação de segurança." Um trabalhador do entorno também reclama da situação: "A molecada vem para cá fumar maconha. As mulheres não podem ficar sentadas no banco, porque os homens vão para cima jogando cantadas. A praça não é segura, nem de dia e nem de noite. Nem a praça iluminada tem inibido a ação dos usuários de drogas." De acordo com a Secretaria de Obras, as lâmpadas queimadas no local deverão ser trocadas, no entanto, a data não foi informada.
Importante espaço da diversidade
Para a coordenadora do Núcleo de Geografia, Espaço e Ação da UFJF, Clarice Cassab, as praças são pontos de encontro que precisam apresentar atrativos para que a comunidade sinta vontade de frequentar. "É indispensável que se tenha cuidado com os espaços públicos que constituem a nossa cidade. A praça é um espaço público importante, um lugar de encontro frequentado por mães que levam seus filhos para brincar, jovens que transitam pelo espaço, idosos, além das feiras. É um lugar que propicia esse encontro, e por isso ele é fundamental, porque possibilita que as pessoas experimentem a diversidade que constitui a cidade. Para isso, é preciso que estes espaços estejam bem equipados, bem iluminados. Se as praças da região central estão nesta situação, imagine as dos bairros periféricos, isso quando têm praça", adverte.
Clarice Cassab defende a necessidade de romper com o estigma e potencializar outros usos da praça. "Essa coisa de estigmatizar o espaço como se fosse para o uso do tráfico, acho que não condiz com a realidade, especificamente no Parque Halfeld. Também acredito que isso acaba contribuindo para intensificar as formas de desigualdade e segregação da cidade. Acho que podíamos potencializar a praça pelos outros usos que ela tem, e não pelo uso do tráfico, por exemplo", ressalta Clarice.
Sobre o policiamento nas praças, o assessor de comunicação do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente Marcelo Alves, esclarece que, na área central, é feito "um patrulhamento por meio do policiamento preventivo e repressivo. Se o policial perceber alguma atitude suspeita, faz a abordagem. O foco é prevenir a ação delituosa. A presença policial inibe esta ação. O patrulhamento atua em horários e dias direcionados conforme planejamento próprio e dados estatísticos." A população também pode ajudar neste processo. "O cidadão pode contribuir com todo o esforço da PM, por meio do disque denúncia, 181, no qual a identidade do cidadão é preservada. Vamos receber a denúncia, verificar a situação e dar uma resposta ao cidadão."
Situação afasta os frequentadores
Algumas praças de bairros da área central também apresentam iluminação precária, o que tem afastado os poucos frequentadores noturnos. No Bairro São Mateus, a Praça Jarbas de Lery Santos estava com três postes queimados, um deles na quadra de esportes, no dia em que a Tribuna esteve no local. Outro poste teve as luminárias retiradas. Mas mesmo com a maioria acesa, o o local é escuro, o que facilita a prática de atividades ilícitas. Enquanto a Tribuna fazia o levantamento no local, dois jovens fumavam maconha no espaço. "A segurança é precária, e a praça é escura, falta iluminação. Optei por trazer as crianças para cá, porque não tinha como ir para outro lugar. Apesar de ter vindo, tenho certo receio. Quando preciso passar pela região, prefiro mudar de caminho, passo pelo outro lado da via ou pela Rua São Mateus", afirma o funcionário de serviços gerais Josias da Silva, 31, que brincava com os filhos no parque infantil. Uma moradora do entorno, 69 anos, também reclama das áreas escuras: "A praça já esteve pior, antes o consumo de droga era maior. Não acabou, mas melhorou. Precisamos é de mais iluminação. A Prefeitura esteve no início da semana trocando umas lâmpadas, mas a equipe não voltou. A polícia, de vez em quando, faz um ronda. Mas não tem segurança à noite. O recurso é entrar pela garagem que tem porteiro 24 horas." Assim como para a Praça do Riachuelo, também existe um projeto de revitalização para a área no São Mateus. Esta deve ser a primeira a ser contemplada com a reforma, já a partir desta semana.
A Praça Agassis, no Mariano Procópio, também necessita de melhor iluminação. Na área, cinco postes estavam com as lâmpadas queimadas no início deste mês, enquanto outro não possuía o compartimento de energia, somente a haste de ferro. Para completar, havia um aspecto de abandono. As duas lixeiras não comportavam a demanda, e havia lixo espalhado. Os bancos de concreto tinham rachaduras ou apresentavam partes quebradas. Os brinquedos do parque infantil estão enferrujados, e um deles teve a haste de metal arrancada. "É uma praça centenária, deveria ser mais bem cuidada. É um espaço mal gerido, tinha que ter aparelhos para as pessoas se exercitarem. Tinha que ser um complexo igual ao museu, já que é uma continuação, podia ter uma réplica do museu lá. De vez em quando, a Prefeitura faz uma varrição", afirma a professora Terezinha de Jesus, que mora há 21 anos no bairro.
Uso só pela manhã
A Tribuna também esteve na Praça Pedro Marques, mais conhecida como praça da Igreja Melquita, no Bairro Santa Helena. Na área, três lâmpadas do poste central estavam queimadas. "Os moradores só usam a praça pela manhã para passearem com as crianças", relata um morador do entorno que prefere não se identificar. À noite, a área é considerada insegura pela vizinhança. No muro onde havia a imagem de uma santa, hoje há um espaço vazio, já que o objeto também foi levado. O orelhão em frente à igreja foi pichado, assim como a banca de revistas. Durante o dia, às vezes, passo pela praça quando vou fazer caminhada. Quando minha neta está aqui, vamos passear lá. Mas minha preocupação é à noite. Costumo entrar pela garagem para evitar o portão principal. Quando minha filha sai, vou buscá-la para não vir sozinha", relata a pedagoga Terezinha Dalva de Oliveira.
Nos casos das praças Agassis e Pedro Marques, a informação da assessoria da Secretaria de Obras é de que as lâmpadas queimadas serão trocadas. Já quanto ao parquinho da Agassis, uma equipe técnica deverá ir ao local para avaliar a necessidade de troca ou reforma dos brinquedos. A assessoria informou, ainda, que todas as praças citadas já passaram por processo de revitalização.








