Ação da polícia quer evitar pequenos delitos Comunidade se une por escola estadual
A Polícia Militar (PM) lançou oficialmente ontem a Operação Natalina 2011, que segue até 12 de janeiro, quando uma outra campanha, a Operação Férias Seguras / Verão 2012, será iniciada. O objetivo da ação que teve início na manhã de ontem, com solenidade no Parque Halfeld, é estimular a prevenção em um período que a população frequenta mais os pontos comerciais e costuma circular com dinheiro para realizar as compras de fim de ano.
Conforme o comandante da 4ª Região da Polícia Militar (4ª RPM), coronel Ronaldo Nazareth, aproximadamente 400 policiais vão atuar nas principais áreas comerciais da cidade, como Centro, Manoel Honório, Benfica, Alto dos Passos, São Mateus, entre outros pontos, com a intenção de reforçar o patrulhamento e agir, principalmente, na prevenção de pequenos furtos e assaltos.
Como neste período as pessoas recebem o décimo terceiro (salário), estão envolvidas com as compras de Natal, e o movimento do comércio aumenta, há também mais possibilidade de registrar pequenos delitos. A operação pretende evitar essas ocorrências e estimular a colaboração da população na redução da criminalidade, explica o assessor de comunicação organizacional da 4ª RPM, major Sebastião Justino.
Durante a operação, cerca de cinco mil panfletos com dicas e orientações serão distribuídos. Entre as informações contidas no material, está a importância de que a população evite carregar grande quantidade de dinheiro, abrir bolsas e carteiras em locais movimentados, e deixar embrulhos e objetos de valor dentro dos automóveis estacionados. A PM também indica que os proprietários de celulares façam uso cauteloso, não deixando o telefone em mesas de bares e restaurantes e em locais aparentes das bolsas, e guardem o número de série dos aparelhos, para facilitar a identificação em caso de roubo.
O lançamento da campanha contou com apresentação da banda da corporação e do prefeito Custódio Mattos (PSDB), que ressaltou a sintonia da PM com a comunidade. As operações são uma iniciativa inteligente e oportuna, que demonstra o profissionalismo, a inteligência e a inovação da corporação, destacou o prefeito durante o discurso. Em seguida, os policiais saíram em comitiva em direção aos principais pontos de atuação.
Depois de ter sido alvo de vandalismo, a Escola Estadual São Vicente de Paulo, no Bairro Borboleta, Zona Oeste, tem contado com a participação da comunidade local para garantir a segurança de seus estudantes. Na noite de 22 de outubro, o colégio teria sido invadido, e a grade que o cerca sofreu danos em alguns pontos, deixando o local sujeito a novas invasões e fuga de alunos. De acordo com a diretora da instituição, Suly Silva Miranda, atos como este não são comuns no bairro. Em oito anos de escola, nunca vi nada assim, me surpreendeu. A comunidade é muito participativa no cotidiano do colégio, tanto que partiu dela a iniciativa de busca de apoio para construirmos um muro.
Mãe de uma aluna, a dona de casa Geovana Aparecida Nogueira do Nascimento faz parte do grupo de moradores ao qual Suly se refere. Juntos, eles fizeram um abaixo-assinado, ainda em circulação. Já colocaram a grade de pé de novo, mas quem entrou uma vez pode entrar de novo. Temos que garantir a segurança dos alunos dentro da escola. Estamos dispostos a fazer um mutirão para ajudar na construção, mas não podemos arcar com os custos. O documento será entregue à presidência da associação do Bairro do Borboleta, que buscará recursos junto ao Governo de Minas. A princípio vamos recorrer ao Estado, já que a escola é estadual. Mas se não for possível, vamos tentar recursos junto à Prefeitura e até à instituições particulares, se for preciso. Para ela, a iniciativa dos moradores é exemplar. Vejo esta participação com bons olhos e espero que tenhamos resultados.
Para o cientista social e político Paulo Roberto Figueira Leal, esse tipo de engajamento é positivo, sobretudo pelo fato de estar relacionado à educação. É uma evidência muito boa da percepção dos setores populares de que qualquer transformação possível da realidade socioeconômica tem que passar pela educação, o que nem sempre foi claro. Durante muitas gerações, parte da sociedade achava que as mudanças poderiam ocorrer mais facilmente por meio do trabalho, por exemplo. Ele ressalta, por outro lado, que a participação popular pode estar refletindo uma omissão do Estado em cumprir o seu papel. Faz pouco sentido crer que não haja recursos públicos para a construção de um muro. Caso esta seja a realidade, isso revela a falta de prioridade orçamentária da educação, uma questão que ainda está muito longe da ideal.
A assessoria de comunicação da Secretaria do Estado de Educação informou que a situação da Escola Estadual São Vicente de Paulo está sendo discutida em reuniões entre a direção da instituição e a Superintendência Regional de Ensino. O órgão comunicou, ainda, que a possibilidade de financiamento total ou parcial da construção do muro será avaliada, bem como os prazos e condições para a realização do serviço, caso ele realmente seja custeado pela secretaria.








