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Estudo sugere novo traçado para BR-040


Por Renata Brum

30/07/2011 às 07h00

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Um novo traçado para a BR-040, no trecho que vai do km 732 ao 754, segmento coincidente com o perímetro urbano de Santos Dumont, é a proposta para modernizar a rodovia federal e por fim aos acidentes constantes e fatais registrados. Atualmente a estrada está fora dos padrões internacionais de segurança, com topografia acidentada, pista simples em grande parte e com afunilamento em pontes. O estudo "Segurança nas rodovias federais brasileiras", desenvolvido por alunos da Faculdade de Engenharia da UFJF, sugere a criação de uma nova estrada (ver quadro), eliminando os quatro viadutos em pista simples e em curva localizados no segmento de Santos Dumont, datados da década de 1950. Coordenado pelo engenheiro e especialista em transporte e trânsito, Cézar Henrique Barra, a pesquisa já foi encaminhada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), à Agência Nacional de Transportes Terrestres (Antt) e também à Prefeitura de Santos Dumont para avaliação.

Além do novo desenho da pista, o estudo aponta para a necessidade de reurbanização do trecho em Ewbank da Câmara, que deveria ser remodelado, ganhando pistas mais amplas, barreiras divisórias centrais, rotatórias e melhorias dos acessos à cidade. Enquanto os projetos alternativos são discutidos em nível acadêmico, no Dnit não há previsão de intervenção de infraestrutura viária entre Juiz de Fora e Santos Dumont, apesar de o órgão reconhecer a necessidade de melhoria do trecho. Em outros pontos, a rodovia encontra-se em fase de duplicação, ainda apresentando trechos muito perigosos e com má conservação – sinalização horizontal quase inexistente em várias partes. A esperança mais próxima pode estar na concessão da estrada à iniciativa privada, o que ainda depende de autorização do Tribunal de Contas da União (TCU), conforme a Antt.

Na principal alternativa apontada a rodovia terá uma largura de 28,8m e uma extensão de aproximadamente 13 quilômetros, cerca de 5,5 a mais que o traçado atual, gastando aproximadamente R$ 42 milhões. Uma segunda proposta deslocaria a rodovia para a parte leste do município de Santos Dumont, cortando apenas 200 metros de área urbana, a um custo estimado de R$36 milhões. O embasamento da pesquisa diz que mesmo tendo um custo elevado, o novo traçado trará muitos benefícios. "Por ter um traçado mais linear haverá um diminuição do número de acidentes no trecho, esse que terá um fluxo melhor e trará uma maior segurança para os motoristas e tranquilidade para os moradores próximos aos atuais viadutos."

O supervisor da unidade local do Dnit, Edson Ruffo, diz que reconhece a demanda de intervenção no trecho entre Ewbank e Santos Dumont, e que vê como positiva a pesquisa dos estudantes, entretanto frisa que antes de qualquer avanço, é preciso haver um estudo de viabilidade técnica e ambiental. "A iniciativa é louvável, mas não é simplesmente tirar a rodovia de um lugar e colocá-la em outro. É preciso um estudo dos impactos sociais e ambientais, é preciso discutir as propostas com a comunidade, em audiências públicas. Reconhecemos a demanda da região, tanto que já fiz uma solicitação à superintendência do Dnit de um estudo de viabilidade de duplicação do trecho. Mas estamos abertos a outras alternativas. Temos é que discutir."

Um dos estudantes autores da pesquisa, Márcio Willian da Costa Júnior, explicou que a pesquisa continuará a ser desenvolvida, definindo quilometragem, necessidade de desapropriações, custo estimado e garantiu que a população diretamente afetada será também consultada. "A pesquisa está na parte inicial onde levantamos apenas alternativas. Posteriormente, serão feitos estudos técnicos na área, além de pesquisas de opinião a fim de ouvir a população. A função da engenharia é levar conforto à sociedade, por isso deve-se consultar as comunidades locais, pois eles sabem e vivem o problema, é natural que opinem para a solução."

Na pesquisa desenvolvida pelos estudantes também são propostas benfeitorias viáveis economicamente para a BR-381, que liga Belo Horizonte ao Espírito Santo, conhecida como Rodovia da Morte. As duas foram escolhidas por serem consideradas as mais perigosas do país. O trabalho contou com levantamento dos pontos por técnicas de geoprocessamento, observação das áreas pesquisadas em visitas, coleta de informações junto ao Dnit, imprensa e Polícia Rodoviária Federal. Os responsáveis pelas propostas são os estudantes Álvaro Barroso, Erik Justino, Filipe Lima, Guilherme Maciel, Gustavo Silva Neto, Márcio William Júnior, Patrick Tavares, Pedro Franco,Victor Abranches e Yuri Daibert.