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Protesto contra centro de triagem


Por Tribuna

10/08/2011 às 07h00

Vereador Flávio Cheker conversou com moradores do Poço Rico e de Santa Tereza

Vereador Flávio Cheker conversou com moradores do Poço Rico e de Santa Tereza

Moradores do Poço Rico e de Santa Tereza, região Sudeste da cidade, realizaram ontem manifestação, na Rua da Bahia com a Rua Tenente Delfino Nonato Faria, contra a instalação do centro de triagem para catadores de papel na região. Um abaixo-assinado será enviado à Câmara Municipal. O vereador Flávio Cheker (PT), um dos batalhadores pela implantação do centro, participou do encontro e explicou a necessidade de instalação do empreendimento, com objetivo de melhorar a limpeza das vias e garantir oportunidades para esses trabalhadores. Entretanto, não houve consenso, e o vereador garantiu que irá solicitar audiência pública para debater o assunto no Legislativo.

"Os catadores precisam de um lugar para separar esse lixo e de um local de apoio. Mas entendemos e respeitamos as reclamações dos moradores e precisamos ter definições sobre o local. Mas a demora pode ocasionar a perda dos recursos, uma vez que, no projeto, a construção estava prevista para 2010", afirmou Cheker.

Entre os moradores, a preocupação é com a desvalorização dos imóveis e aumento da violência. "Muitos são sim catadores de papel e batalham pelo sustento, mas outros são apenas moradores de rua e usuários de drogas. Não fomos consultados sobre a instalação do centro no bairro", disse uma autônoma, de 44 anos. Comerciantes da Rua da Bahia e entorno reclamam. "Já vimos mulher pelada revirando lixo,pessoas fazendo sexo em plena luz do dia. Alguns montaram uma lona no fim da Rua Bahia e dormem lá. O local fica com cheiro de urina e fezes. Até as árvores estão sendo destruídas com fogo", comentou um comerciante. Presidente da Associação de Moradores do Santa Tereza, Sidnilson Ferreira, 40, informou que vai tentar agendar reunião com os envolvidos na criação e construção da unidade de triagem, como Fundação Banco do Brasil, Secretaria de Assistência Social (SAS) e Associação Municipal dos Catadores de Materiais Recicláveis e Reaproveitáveis de Juiz de Fora (Ascajuf), já que, além da insatisfação da comunidade, há discussões sobre a legalidade da cessão do terreno.

Chefe do Departamento de Proteção Especial da SAS, Maria das Dores Barbosa de Morais, informou que o processo de cessão do terreno foi acompanhado pela União e publicado no Diário Oficial da União e que o processo para a liberação da verba está em trâmite na Fundação do Banco do Brasil. Já a construção será acompanhada por um Comitê Executivo, integrando representantes da Câmara, UFJF, Secretaria de Obras, entre outras entidades. Sobre a insatisfação da comunidade, ela disse que a secretaria não tinha conhecimento. "Estamos amparando os catadores de papel, pois eles merecem e precisam trabalhar com dignidade. Mas sabíamos que essa insatisfação poderia acontecer, só que este foi o terreno que conseguimos."