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Comerciantes temem falência dos negócios


Por Fernanda Sanglard

06/01/2012 às 21h42

Fábrica Móveis São Jorge

Fábrica Móveis São Jorge

Comerciantes e produtores rurais de Dona Euzébia e Guidoval começam a tentar calcular os prejuízos. Outra preocupação é relativa aos saques, que já começaram a ser registrados. A Polícia Militar tem atuado para conter os delitos, mas muitos donos de pontos comerciais já denunciam furtos. No entanto, como em alguns locais a inundação danificou ou carregou até mesmo os documentos, eles sequer conseguem precisar o que perderam. Adélio Cordeiro, 41 anos, ficou sem os produtos da loja de eletrodomésticos, móveis e colchões, e também um mercado em Guidoval. Segundo ele, só foi possível recuperar cerca de 10% das mercadorias. A água atingiu o teto dos estabelecimentos. Sem ter seguro de nada, o temor é não conseguir arcar com os compromissos.

"Recuperamos os colchões, mas os sacos foram furados e alguns molharam. Como tem muita gente precisando, vou doá-los", explica Adélio, demonstrando solidariedade a quem perdeu a casa. Ele faz um apelo para que uma equipe externa coordene o direcionamento dos recursos e donativos, para que se evite uso político e desvios.

Outro empresário afetado foi Osvaldo Cruz, 54, proprietário da Móveis São Jorge – que produz madeira e tubulares. A indústria localizada na Rua Dionísio Victorino Maciel, Bairro Santo Antônio, também em Guidoval, foi destruída pela correnteza. A água atingiu o segundo andar da fábrica e levou até mesmo o envelope com R$ 70 mil em cheques de clientes que estava sobre a mesa. "Tirei do cofre para salvar e entreguei para a minha esposa. Enquanto tentava salvar outras coisas, ela começou a ser levada pela água, e os cheques ficaram. Tenho fornecedores para pagar, móveis para entregar, contas vencendo, e não sei o que fazer. Na enchente de 2008, também fui atingido, e o BDMG só me ofereceu R$ 15 mil para retomar os negócios. Isso para quem trabalha com fábrica é trocado, não paga nada. Se desta vez não for diferente, tenho medo de ter que declarar falência, porque não tenho mais forças para lutar."

Assim como ele, Adélio não sabe como reerguer os negócios. "O Governo de Minas poderia nos ajudar, impedindo que nossos nomes sejam negativados no Serasa e que os fornecedores parcelem os compromissos. Não queremos dar prejuízo a ninguém, só precisamos de um prazo para nos restabelecer. Nosso nome foi a única coisa que restou. Se perdermos isso, o que teremos?"

Com grande parte da economia aquecida pela produção agrícola, os empresários também tiveram grandes áreas de plantação devastadas. O produtor rural Rodrigo Pereira Borges, 25, de Dona Euzébia, estima que tenha perdido pelo menos R$ 300 mil em mudas ornamentais, frutíferas e de reflorestamento. Um dos responsáveis pela empresa familiar, ele conseguiu encher dois caminhões com parte das plantas quando percebeu que o rio subia, mas o restante ficou. "Não há mais como recuperar o que a lama atingiu. O que não se foi até agora vai morrer em breve."

Para minimizar os efeitos das chuvas para empresas e comerciantes das 87 cidades afetadas pelas chuvas e que declararam situação de emergência no estado, o governador Antonio Anastasia anunciou a criação de um programa emergencial de socorro. Serão R$ 30 milhões destinados ao apoio financeiro para a reparação de danos sofridos por micro e pequenas empresas. A verba é proveniente do Fundo de Fomento e Desenvolvimento Socioeconômico do Estado de Minas Gerais (Fundese), gerido pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), onde os pedidos de financiamento deverão ser protocolados, acompanhados da documentação exigida, até 31 de maio.

Segundo Anastasia, os financiamentos destinam-se à substituição e reparos de ativos essenciais às atividades operacionais do estabelecimento, incluindo despesas com montagens, fretes e seguro, e à recomposição do capital de giro. O valor do financiamento deverá ser de, no mínimo, R$ 5 mil e, no máximo, R$ 100 mil, limitado a 20% do faturamento anual do solicitante.