Preocupação com novos sorotipos
Apesar da redução no número de notificações relativas à dengue em todo o país (ver quadro) e no Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de Juiz de Fora, na comparação com ao ano passado, não há motivos para baixar a guarda em relação à doença. Em pleno período chuvoso, quando há tendência de aumento nos criadouros do mosquito transmissor da moléstia, as autoridades de saúde reforçam as ações de combate e prevenção, que foram antecipadas neste ano. Em Juiz de Fora, a preocupação é acentuada pela expectativa de que ocorra uma epidemia no Rio de Janeiro. A proximidade com o Rio nos deixa em estado de alerta, informa o subsecretário de Vigilância em Saúde, Ivander Mattos Vieira. O titular da Superintendência Regional de Saúde (SRS), Cláudio Reis, acrescenta que, o início das atividades no Aeroporto Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco (Regional da Zona da Mata) amplia as rotas de acesso à região, o que pode facilitar a ocorrência dos sorotipos 3 e 4 da dengue.
Apesar de o sorotipo 3 já ter sido identificado em pacientes da área de cobertura da SRS, foram casos isolados, raros, por isso, precisamos evitar a reintrodução. Já o tipo 4 foi registrado no estado do Rio, mas ainda não chegou até nós, observa Cláudio. Conforme Ivander, em Minas Gerais só foi confirmado um caso de dengue tipo 4. O medo é de que, com o aumento do tráfego de pessoas de outros estados, o aeroporto funcione como porta de entrada para o sorotipo.
Segundo Cláudio Reis, o vírus tipo 4 não é mais problemático que os anteriores, o perigo é a reinfecção por vírus diferentes, o que oferece mais risco de desenvolvimento da dengue hemorrágica ou com complicações. Por isso, o objetivo é intensificar os trabalhos nos municípios que servem como rotas, como Santos Dumont e as cidades do entorno do aeroporto. Juiz de Fora, pela localização estratégica e por ser o maior município da região, também merece atenção especial.
O superintendente explica que a administração do Aeroporto Regional está ciente da importância da prevenção dos focos da dengue e que tem tomado todas as providências necessárias. O diretor da Multiterminas – empresa responsável pela administração do aeroporto -, Denilson Duarte reforça que há uma equipe treinada para o acondicionamento correto do lixo. Há planejamento para que os órgãos de saúde sejam acionados em caso de necessidade e adoção de procedimentos que seguem normas nacionais e internacionais. Trabalhamos para que seja descartada qualquer risco de foco da dengue no aeroporto, afirma.
Redução no Liraa não descarta epidemia
O último Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) na cidade constatou Índice de Infestação Predial (IIP) de 1,08%, o que representa redução em relação aos números anteriores (6,4% em janeiro e 3,27% em março), mas ainda está próximo ao verificado no ano passado (1,04% em outubro) e é superior aos registrados na região, conforme explica o superintendente Regional de Saúde, Cláudio Reis.
Cláudio afirma que, apesar de nos outros 36 municípios da superintendência não ser realizado o Liraa, mas sim o Levantamento de Índice (LI), que pode ser considerado mais completo, por ter amostragem maior e ser realizado em mais dias, os dois índices são comparáveis. A situação de Juiz de Fora está controlada, e foi feito um bom trabalho durante todo o ano. No entanto, o fato de o Liraa de Juiz de Fora ainda ser superior ao dos demais municípios da região e ao preconizado pelo Ministério da Saúde (até 1%), indica que não é possível reduzir a atenção.
O subsecretário de Vigilância em Saúde, Ivander Mattos, explica que o Poder Público tem investido em conscientizar a população e manter o quadro de estabilidade. Os últimos resultados deixam Juiz de Fora em estado mais confortável, mas precisamos da ajuda das pessoas para eliminar o maior número de reservatórios que possam conter água, até mesmo em tampinhas de refrigerante abandonadas em um terreno. Não queremos que o quadro de 2010 se repita.
Dez minutos
Uma campanha bem-sucedida adotada em Cingapura, na Ásia, e repetida no Rio também deve ser o mote para ações na região. Trata-se de algo muito simples, que é pedir a cada pessoa que dedique dez minutos da semana aos cuidados com a dengue, conta Cláudio Reis. Ivander também adianta que a Vigilância em Saúde pretende incentivar a introdução dessa prática no cotidiano dos juiz-foranos. Não custa nada usar um pequeno tempo da semana para evitar que o mosquito se prolifere.








