Pesquisas da UFV afetadas
Além das mortes e dos prejuízos em decorrência do incêndio que ocorreu na Estação Comandante Ferraz, na Antártica, no último sábado, a pesquisa científica também pode ficar comprometida. Estudos realizados na Zona da Mata mineira, como os do projeto Terrantar, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), estão entre os que já sentem o impacto do problema. O Terrantar vem sendo desenvolvido há dez anos a partir de expedições à Antártica e, depois do incêndio, a equipe estima que tenha perdido cerca de R$ 250 mil em equipamentos que estavam na base atingida. Além disso, a próxima diligência que seria feita em março precisou ser cancelada.
"No momento do incêndio, não havia ninguém do nosso grupo, pois a última equipe voltou de lá em janeiro. Mas ficamos muito sensibilizados com o que ocorreu, devido à perda de colegas (dois integrantes da Marinha que morreram) e à incerteza sobre o futuro da base", explica o professor do Departamento de Solos da UFV e pesquisador do Laboratório Terrantar, Felipe Simas, que já esteve seis vezes na Antártica.
Conforme Simas, a Estação Comandante Ferraz tem enorme importância na colocação do Brasil no cenário da pesquisa internacional. "Para integrar o grupo de países signatários da Antártica, que podem opinar na decisão do uso que se fará naquele espaço, o Brasil precisa ter pesquisa de alta relevância. E os diversos grupos que atuam nesses projetos têm conseguido isso, com crescimento da pesquisa e reconhecimento internacional."
Os estudos do Terrantar são sobre ecossistemas terrestres da Antártica e envolvem monitoramento do solo e de organismos. "A partir do acompanhamento da temperatura do solo, por exemplo, podemos compreender alguns efeitos de mudanças climáticas", esclarece Simas. De acordo com ele, programas de outras instituições brasileiras ainda envolvem pesquisas sobre oceanografia e biologia marinha.
Em dezembro e janeiro, o coordenador do Terrantar, professor Carlos Schaefer, esteve com parte da equipe nas imediações do Polo Sul, onde instalou os primeiros sítios de monitoramento de permafrost (camada do solo sempre congelada) e da camada ativa das Montanhas Ellsworth. O intuito é monitorar temperatura e umidade em diferentes profundidades dos sítios de referência. Apesar de acreditarem que esses sensores não tenham sido danificados, devido à distância de localização em relação à base, os pesquisadores não sabem quando poderão retornar à área para verificar a situação e coletar os dados. "Apesar de nem sempre ficarmos na base, ela é o ponto de referência. Lá é o ponto de chegada, de controle e de onde os grupos partem para as áreas remotas. Esperamos que a reconstrução da base ocorra o mais rápido possível, pois é importante política e cientificamente."








