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Educadores dão dicas para a reta final de preparação


Por MARIANA NICODEMUS

25/09/2011 às 07h00

Dentro de quatro semanas, mais de 5,3 milhões de estudantes brasileiros estarão de frente para a principal porta de acesso ao ensino superior: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011. Seja como sucessora do vestibular, substituta da primeira fase, complementação de nota ou bonificação, a avaliação do Ministério da Educação (MEC) integrará os processos seletivos de 167 instituições públicas de ensino superior. Na UFJF, o teste é obrigatório como etapa inicial e a única forma de ingresso para os candidatos a uma vaga nos bacharelados interdisciplinares em artes e design, ciências humanas e ciências exatas, que serão distribuídas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A Tribuna se junta a partir de hoje aos vestibulandos na corrida rumo à universidade, com uma série de reportagens sobre o exame nacional e seus impactos nos sistemas de educação.

Apesar de a preparação para o exame estar entrando na reta final, ainda é possível aprender e, para garantir uma boa pontuação, professores avisam que é preciso estar antenado com o que acontece no Brasil e no mundo (ver quadro). "O Enem mede a capacidade de compreensão, análise e reflexão sobre os assuntos tratados nas questões, que, normalmente, se reportam a atualidades. Quem lê muito está um passo a frente. Essa sintonia com os fatos também é importante para a redação, prova com peso muito grande. É preciso ter bagagem para argumentar e conseguir uma boa nota," comenta a coordenadora do Curso Pré-Vestibular Popular (CPV) da UFJF, Letícia Couto Bicalho.

Professor e coordenador de geografia do Colégio dos Jesuítas, Wilson Pereira Júnior reforça que é importante estar conectado ao mundo, mas não só pela internet. "Pedimos que os alunos leiam jornais ou assistam às notícias pela televisão e incentivamos que os pais favoreçam a discussão em casa." O docente afirma que não há mais espaço para decoreba. "Hoje pegamos a parte conceitual da matéria e jogamos para o dia a dia. Se acontece um terremoto no Japão, aproveitamos para estudar placas tectônicas e entender como e por que ocorreu. A matéria fica mais fácil e interessante, pois sana a curiosidade do estudante", explica, lembrando que as notícias não podem ser privilegiadas em detrimento do conteúdo.

Conexões

O responsável pelo ensino de história no Colégio e Curso Apogeu, Welson Augusto, que costuma relacionar fatos atuais com situações semelhantes do passado em suas aulas, destaca que é interessante estabelecer conexões entre o Brasil e o resto do mundo. "É preciso estar atento às questões contemporâneas e conhecer a influência de acontecimentos mundiais no nosso contexto."

Embora as ligações entre conteúdo e notícia sejam mais evidentes nas matérias de ciências humanas – história, geografia e sociologia -, atualidades também devem aparecer na prova de ciências da natureza ou mesmo no teste de matemática. "O desastre do Japão pode suscitar questionamentos sobre fontes de energia e a viabilidade da matriz nuclear," alerta o professor de física do CPV/UFJF Wagner da Silva. "A estatística, forma mais palpável da matemática no cotidiano, e a análise de gráficos costumam ser cobradas", destaca o professor de matemática do mesmo curso Marcos Vinício de Britto.