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Sujeira e depredação no Parque Halfeld


Por EDUARDO VANINI

04/02/2012 às 07h00

A falta de manutenção, o vandalismo e outras práticas ilícitas voltam a ser problemas no Parque Halfeld, principal espaço de lazer do Centro de Juiz de Fora. Há seis meses, a Tribuna mostrou que a área era alvo do comércio de drogas e da violência. Durante esta semana, a reportagem retornou ao local e encontrou uma série de problemas relacionados, também, a falhas na conservação. Há lixo nos canteiros, lixeiras depredadas, falta manutenção no curso d’água, o piso apresenta buracos e ondulações, monumentos estão danificados e o mau cheiro provocado pela urina de frequentadores toma conta de vários pontos da praça.

O aposentado Délcio Alves, 50 anos, frequenta o Parque Halfeld há, pelo menos, dez anos e diz que a sensação agora é de desleixo com o lugar. Ele apresentou especial preocupação com os dois pequenos lagos situados nas laterais. "Desde o final do ano passado, não vejo equipes atuando na limpeza. Às vezes, sinto cheiro de bicho morto." No curso d’água em frente à Câmara Municipal, estão jogados CDs, sacolas plásticas e garrafas. A fonte em formato de menino está quebrada na base. Como a cascata que fica embaixo do quiosque situado na parte mais alta do parque não está funcionando, a água está parada, podendo servir como criadouro para dengue. A cor da água, que está turva, denuncia o abandono. No outro lago, em frente ao Fórum Benjamin Colucci, a fonte ainda funciona, mas o lago está sujo, e até um tênis pôde ser visto boiando. Além disso, dois bustos que ficam na parte frontal do Parque estavam sem as placas informativas.

A assessoria da Empav informou que a bomba do lago situado em frente à Câmara foi quebrada por conta das chuvas e deve ter o funcionamento restabelecido na próxima semana. Já o boneco que serve como chafariz foi danificado, pela terceira vez, por vândalos, e também será consertado. Sobre as demais queixas, o setor informou que equipes fazem a limpeza diária do espaço, e os problemas com depredações são sanados conforme a demanda ou em manutenções periódicas, que envolvem a limpeza dos lagos. Quanto aos bustos sem placas de identificação, o Setor de Patrimônio da Prefeitura se comprometeu em fazer a verificação nos próximos dias.

Brigas de jovens

Os frequentadores também reclamam da falta de segurança. Segundo Délcio, brigas entre jovens são constantes e, às vezes, não há vigilância. O problema da venda e uso de drogas também foi ressaltado por ele. Na tarde de quarta-feira, por exemplo, enquanto a reportagem circulava pela área, um grupo de rapazes fazia uso de maconha no quiosque e chegou a hostilizar a equipe aos gritos.

A acompanhante Cláudia da Silva, 47, teme a situação. "A gente não pode ficar à vontade ou trazer uma criança para cá", disse, pontuando que isso espanta as famílias. A aposentada Francisca Cabrini, 63, deixou de levar a neta, de 7 anos, a passeios pelo espaço. "Não gosto nem de passar perto. Mesmo sob sol quente, vejo jovens fazendo uso de drogas. Outro dia, assisti um deles mergulhar em uma das fontes." Já o comerciante Ari Alberto, 61, que trabalha em uma das pérgulas para a venda de artesanato, reclamou das condições das estruturas. "A madeira está podre e, quando chove, a cobertura acumula água durante dias."

 

Situação é considerada ‘lamentável’

"Às vezes, os guardas municipais são até ameaçados. Mas não podem agir de maneira mais enérgica, já que não andam armados", afirma um frequentador. Segundo ele, a área também tem sido palco para brigas de gangues e, durante a madrugada, como não há segurança, a área fica ainda mais vulnerável. Segundo a assessoria da Secretaria de Administração e Recursos Humanos, os guardas municipais atuam no espaço das 6h às 23h.

Diante desse cenário, o empresário Valdir Eustáquio, 65, que morou durante quatro anos em frente ao Parque Halfeld, preferiu se mudar para uma região mais segura. "À noite, fica muito perigoso, sobretudo, para pessoas mais velhas. Além disso, há dias em que é impossível sentar em um banco por conta do mau cheiro causado pela sujeira e urina. Tem até pessoas que moram nos jardins." Para ele, a situação é "lamentável", já que o parque é um cartão postal da cidade e, ao lado do Calçadão da Rua Halfeld, configura o espaço mais conhecido por quem não é de Juiz de Fora.

O assessor de comunicação organizacional do 2º Batalhão de Polícia Militar, tenente Marcelo Alves, afirma que o Parque Halfeld, assim como outras áreas do Centro, é muito visado por criminosos, devido à diversidade de pessoas que frequentam a região. O militar pontua que a população pode participar ativamente no que diz respeito ao combate às práticas ilícitas no espaço, fazendo denúncias pelo 181 e fornecendo dados, como características dos criminosos e horários de atuação. O assessor também garante que o policiamento tem sido feito 24 horas por dia na região.