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Atendimento crescente por causa de dias frios


Por Tribuna

20/05/2011 às 07h00

A queda das temperaturas nos últimos dias aumentou o movimento das unidades de saúde que fazem atendimento pediátrico. Ontem, por exemplo, o 5º Distrito de Meteorologia, em Belo Horizonte, registrou em Juiz de Fora a menor temperatura máxima do ano: 16,9 graus. Já a mínima foi de 12 graus, ainda na madrugada. De acordo com o chefe do Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente (DSCA), pediatra Antônio Aguiar, as crianças, sobretudo as com menos de 3 anos, são muito afetadas por moléstias típicas do período porque seu sistema imunológico ainda está em formação. Segundo ele, o atendimento no DSCA cresce entre 15% e 20% no outono, quando os termômetros começam a registrar temperaturas mais baixas, e chega a ser 30% maior no inverno.

"Mas este já é um quadro esperado, porque o frio favorece o desenvolvimento de alguns tipos de vírus e há uma mudança de hábito nas pessoas, que tendem a permanecer em ambientes fechados e aglomerados. Isso facilita a dispersão de muitas doenças", destaca o pediatra. Ainda de acordo com o pediatra, o atendimento atualmente está mais lento devido à greve dos médicos, mas a demanda não superou a de anos anteriores, no mesmo período.

Segundo Antônio Aguiar, doenças respiratórias, como gripes e resfriados, são mais comuns nos meses de frio. "A gripe é mais grave do que o resfriado e pode ter complicações, como sinusite, faringite, amigdalite, otite e até pneumonia, portanto deve ser devidamente tratada", alerta. O médico explica também que, ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, doenças respiratórias mais simples podem desencadear quadros mais graves normalmente tidos como genéticos ou ligados apenas a fatores ambientais. "Bronquite, rinite, asma, sinusite e outras doenças podem ser causadas por doenças virais, como a própria gripe, e lideram os quadros apresentados por crianças."

Alice, 2 anos, filha da atendente Juliana Helena dos Santos, tem bronquite. "Sempre que esfria, tenho que vir aqui com ela pelo menos uma vez por semana, até o fim do inverno", diz a mãe. Na manhã de ontem, a outra filha de Juliana, Amanda, de 1 ano e 6 meses, também foi atendida no DSCA, pois estava gripada. Com apenas 2 meses, o pequeno Pedro fazia nebulização no colo da mãe. "Desde que esfriou, ele começou a tossir e espirrar muito, além de estar sempre com o nariz entupido", diz Mayara Geraldo de Araújo.

O chefe do DSCA aponta que a melhor forma de prevenção contra doenças do período é a vacinação contra a gripe, entre outros cuidados (ver quadro). "Tomando a vacina, que não tem contraindicação, as crianças estão protegidas contra a gripe e várias complicações que podem estar ligadas a ela." Ele ressalta que há outras medidas essenciais para que as moléstias sazonais sejam evitadas, como alimentação saudável, ingestão de muitos líquidos e cuidados especiais com os ambientes, evitando acúmulo de poeira. "Não tenho tapetes nem cortinas em casa, porque sei que pode complicar a bronquite da Ana Clara", diz Patrícia Macanha, mãe da menina, que aguardava atendimento para ela e seu outro filho, Kaiki, 2 meses, ambos gripados. "É preciso lembrar também que há outros grupos de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas, como as renais ou cardíacas", conclui o médico Antônio Aguiar.

Previsão do tempo

Conforme o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Claudemir de Azevedo, hoje a temperatura deve ficar entre 13 e 19 graus. A tendência é que a massa de ar polar, que está parada na região Sudeste, comece a perder força este final de semana. Amanhã, os termômetros já devem registrar 24 graus. 

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