Ouça agora

Pesquisadores da UFJF criam submarino autônomo


Por Tribuna

19/10/2011 às 07h00

Pesquisadores da UFJF trabalham em um estudo de ponta para desenvolvimento de um submarino capaz de operar de forma autônoma. A princípio, a máquina será usada para explorar áreas submersas de barragens, examinando suas condições estruturais e a vida aquática. A pesquisa é desenvolvida em parceria com o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, em Portugal, país sede da financiadora do projeto, e com a empresa de energia elétrica EDP, que atua na Região Norte do Brasil. O submarino, que tem pouco mais de um metro de comprimento, deve consumir cerca de R$ 1,5 milhão em investimentos.

Neste ano, o equipamento já foi submetido a um primeiro teste, na barragem do Lageado, em Tocantins, administrada pela EDP Energia. Por enquanto, os testes concentram-se em avaliações do controle de flutuação da máquina. "Quando estiver concluído, o submarino será capaz de executar missões sem nenhum comando remoto, apenas com a programação georreferenciada. Ele está sendo desenvolvido para realizar batimetria, uma foto em três dimensões do fundo da barragem, mas também poderá ser equipado com sensores de qualidade da água, além de fazer análise da vida aquática, substituindo o trabalho de mergulhadores", explica o professor da Faculdade de Engenharia da UFJF e coordenador do projeto, Leonardo Honório.

Com estes dados, o próprio submarino será capaz de identificar problemas como fendas, rachaduras e turbidez da água, classificá-los como significativos ou não e oferecer uma solução, reduzindo custos e riscos de operação. Para isso, os 15 integrantes da equipe ainda terão a missão de desenvolver toda a parte de programação dos computadores. A análise da morfologia do fundo é de especial importância para o consórcio financiador do projeto, pois é na quantidade de água disponível que se encontra a energia potencial a ser gerada. Maior sedimentação significa menos energia elétrica produzida.

Testes locais

Além do primeiro teste na barragem de Lageado, o submarino é avaliado no lago da UFJF e na piscina da Faculdade de Educação Física da instituição. Nesses locais, os pesquisadores analisam a estabilidade do equipamento e, ao mesmo tempo, encontram novas utilidades. "O submarino poderá ser programado para acompanhar a movimentação do atleta dentro da piscina, fornecendo uma mapa 3D dinâmico do nadador", diz o pesquisador.

Ainda na fase de pesquisa, a prefeitura do Guarujá (SP) já demonstrou interesse de que sejam realizados testes com o equipamento para controle de dados do emissário submarino.O professor destaca que a parceria entre as instituições é um dos maiores ganhos para o desenvolvimento da pesquisa brasileira. Até a conclusão do projeto, em aproximadamente um ano e meio, o investimento em intercâmbio de pesquisadores, mestrandos e doutorandos pode fazer a pesquisa alcançar a cifra de R$ 4 milhões. "A inteligência artificial era mais a nossa parte, eles têm mais conhecimento na área de robótica. Sem as duas equipes, a gente não conseguiria viabilizar", conclui.