Infestação da dengue chega a 12%

Terreno do antigo Castelo da Borracha
Se o índice de infestação pelo Aedes aegypti de 7,56% coloca Juiz de Fora diante do risco imediato de uma epidemia, a situação em algumas regiões da cidade é ainda mais crítica. Na Zona Norte, o percentual bateu em 12%, quando o índice considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%. A infestação apurada no último Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti, realizado entre os dias 7 e 16 deste mês, é quase seis vezes maior que o observado ano passado na mesma região. Em 2012, os agentes de endemias localizaram neste estrato, formado por 15 bairros, 21 focos do mosquito, contra cem focos neste ano. As piores situações foram observadas no Jóquei Clube e Nova Era.
O ranking da dengue, divulgado ontem pela PJF*, mostra 16 bairros da Zona Leste, incluindo Manoel Honório, Linhares, Grajaú e Ladeira, como o segundo com maior índice de infestação. O percentual saltou de 2,93% em janeiro de 2012 para 10,3% no mesmo período deste ano. A terceira posição ficou com o estrato de 12 bairros da Zona Sul, cujo índice foi 9,54%, quando no ano anterior era de 3,57%.
Flagrantes
Apesar da gravidade da situação, é fácil encontrar na cidade potenciais criadouros de dengue, o que evidencia a falta de mobilização para evitar uma epidemia e mortes pela doença. Na esquina da Rua Floriano Peixoto com a Avenida Getúlio Vargas, onde um incêndio destruiu vários imóveis, há um terreno cheio de buracos com água. "Tem muita larva de mosquito. E se eu pegar dengue hemorrágica?", questiona um morador da região. A Prefeitura afirma que agentes de saúde foram ao local, ontem de manhã, fizeram o tratamento dos focos e orientaram os responsáveis pelo terreno a retirarem a água.
A Tribuna também registrou flagrantes de descuido em outros pontos. No Nova Era, por exemplo, há duas bocas de lobo quebradas e entupidas na Rua General Almerindo da Silva Gomes, nas esquinas com a Guimarães Junior e com a Jarcil Firmino Pinheiro. Quando chove, a água não escoa, formando poças. Os moradores temem a proliferação do Aedes aegypti. Já em uma calçada da Avenida Brasil, na altura do Manoel Honório, o risco é um pneu abandonado e cheio de água que, segundo pedestres, estaria no local desde o ano passado.

Ainda na Zona Leste, na Rua Henrique Vaz, no Ladeira, há duas carcaças de carros que podem acumular água. O dono de uma delas, que optou por não ser identificado, diz que trabalha na montagem de veículos e não tem onde guardar o carro. "Fica aí de 15 a 20 dias, mas furamos tudo para não acumular água." Na mesma rua, há um terreno descoberto cheio de carcaças. O proprietário diz que trabalha com ferro-velho e não tem recursos para cobrir o lote. "Eu cuido direito. Durante o ano passado, tirei quatro caçambas de lixo que os vizinhos jogaram aqui", conta.
Denúncia
Segundo o superintendente Regional de Saúde, Cláudio Reis, o Aedes aegypti prefere água limpa e parada, mas se desenvolve também em águas poluídas. Ele alerta que a população precisa ficar atenta aos focos em casa e nas ruas. Já o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge Marques, disse que, se necessário, incluirá o Exército na luta contra a dengue. Denúncias relacionadas aos focos podem ser feitas pelo telefone 3690-7290.









