SACO SEM FUNDO


Por Tribuna

17/01/2015 às 07h00- Atualizada 17/01/2015 às 17h55

O Ministério Público, um dos mais atuantes órgãos de investigação na operação “Lava jato”, junto com a Polícia Federal, avisou aos empreiteiros que só fará acordo se houver a confissão de novos crimes, pois não basta contar o que já é de conhecimento dos procuradores. Fica claro que há pontos pendentes. O saque indevido aos cofres da Petrobras não cessou, a despeito das investigações, e é possível o envolvimento de outros doleiros, e não apenas de Alberto Youssef, ora preso em Curitiba, cujas delações já deixaram muita gente com insônia.

Constata-se, ainda, que a Petrobras tornou-se um saco sem fundo, o que valeu a observação do ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, sobre a blindagem que será adotada em torno da companhia. As indicações políticas passarão longe da estatal. Boa notícia, mas não basta enfrentar o problema daqui para diante se há questões passadas que não podem ficar debaixo do tapete. A esperada e preocupante – para eles – lista dos políticos envolvidos no caso tem que ser divulgada, porque ficou claro que o saque não foi orientado apenas por técnicos indicados pelos partidos, havendo indícios de ter o dedo direto dos políticos.

Passado o ciclo de férias do Legislativo e do Judiciário, o país tem que retomar o debate, sobretudo para punir políticos que extrapolaram os limites da procuração dada pelas urnas. Resta saber, dependendo dos nomes, se haverá isonomia no tratamento dos envolvidos, uma vez que há suspeitas de tratar-se de uma lista com a presença não apenas de representantes do baixo clero mas também de pesos pesados do Parlamento.