ECOS DAS URNAS
A eleição ocorreu no ano passado, mas ainda é possível ver seu efeito dentro e fora dos partidos. Internamente, o ponto na curva foi a entrevista da senadora Marta Suplicy, uma das lideranças mais visíveis do PT e que acabou batendo duro no próprio partido e em ex-colegas de ministério, como o ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a quem classificou de inimigo. Sobre o PT, advertiu: ou muda ou acaba. Suas afirmações, voltadas especialmente para o público interno, já estão sob o alvo dos colegas, mas não devem motivar algum tipo de punição, pois, no entendimento destes, é o que ela deseja para sair da legenda. Marta é potencial candidata a prefeita de São Paulo, tendo como adversário o também petista Fernando Haddad; como este está no cargo e tentará se reeleger, em tese, é dele a preferência.
O que Marta faz em São Paulo também ocorre em outras regiões. A sucessão municipal está na agenda dos partidos e dos políticos, embora seja um assunto distante dos eleitores. Mas esta é a dinâmica da política. Quem não fechar acordos com antecedência corre o risco de ficar no sereno na hora da disputa. A ex-ministra sabe que não terá espaço dentro do PT, como também reconhece que estará de fora de qualquer outra disputa majoritária enquanto estiver na legenda. Daí, atirar para todos os lados não é para atrair convites, pois certamente já os tem, mas para sair com um discurso pronto e capitalizar a opinião pública.
Até em Juiz de Fora a sucessão entrou na pauta, bastando ver não apenas as articulações do prefeito Bruno Siqueira como também de seus possíveis concorrentes. Ninguém se coloca como candidato, mas não há negativas. No entanto, a cidade é uma exceção em termos de turbulência, com os atores mantendo relações republicanas, mas basta ver o que ocorre no entorno para se constatar que em regiões críticas a banda toca diferente. A denúncia contra o senador Antonio Anastasia, pela qual ele também teria se beneficiado das benesses do doleiro Alberto Youssef, já foram desmentidas pelo próprio, mas nada garantem que voltem ao debate. Ele é potencial candidato a prefeito em Belo Horizonte. Como os demais, virou alvo.











