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Bando de quatis no Democrata


Por Tribuna

14/01/2015 às 07h00

Pelo menos dez quatis têm circulado próximo aos moradores, cena cada vez mais comum nos grandes centros

Pelo menos dez quatis têm circulado próximo aos moradores, cena cada vez mais comum nos grandes centros

Pelo menos dez quatis foram flagrados pela Tribuna sendo alimentados por moradores no Bairro Democrata, Zona Nordeste. Facilmente adaptáveis à área urbana, esses mamíferos perdem o medo das pessoas e enxergam nelas uma fonte de alimentação. De aparência dócil, eles encantam, mas sua aproximação com as pessoas pode acarretar prejuízos tanto para o animal quanto para o homem. De acordo com o veterinário do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Érico Furtado, os quatis podem ser reservatórios de doenças. Entretanto, o especialista adverte que o contato é mais prejudicial para os bichos. “Como eles não tomam vacina, podem contrair doenças de seres humanos e de animais domésticos, como a cinomose, comum em cães, e que pode levar a óbito”, alerta o veterinário.

O profissional ainda destaca que o hábito de alimentar animais silvestres pode provocar também alguns distúrbios. “A pessoa alimenta, achando que está fazendo o bem. Mas pode ser que esse alimento, sendo manufaturado, contenha alto teor de sal, corantes e outras substâncias que levam os animais a desenvolver doenças, como diabetes e até problemas cardíacos. Além disso, a grande oferta de alimentação pode fazer o bicho entender que pode se multiplicar, já que encontra alimentos em abundância. Assim, o correto é não alimentar, pois o animal deve procurar comida dentro da área onde ele habita”, explica o veterinário, apontando que, quando o quati sai da mata para buscar alimento na área urbana, fica exposto a acidentes na rede de fiação elétrica e a atropelamentos.

Ainda conforme Érico Furtado, a cena flagrada pela Tribuna é muito comum nos grandes centros urbanos. “Depois da Lei 9.605/1998, de crimes ambientais, houve uma mudança de comportamento da população, que adquiriu certa sensibilidade para a questão. Isso fez as pessoas respeitarem mais os animais e aflorar esse senso de solidariedade para com eles”, afirma o veterinário, acrescentando que, consequentemente, aumentou a presença deles nas áreas urbanizadas. A palavra quati que dá nome ao animal, vem do vocabulário tupi-guarani e significa o que mete o focinho nos buracos, mais precisamente, o “fuçador”.